O charco do Parque Urbano do Picoto, em Braga, alberga atualmente 43 espécies distintas, “algumas delas com distribuição restrita em território nacional, conferindo à área um valor ecológico de excelência”, segundo a Câmara de Braga.
Numa nota emitida esta quarta-feira, o município refere que “o Parque Urbano do Picoto consolida-se como um espaço de excelência para a observação e valorização da biodiversidade em meio urbano”.
“Desde 2022 que uma equipa multidisciplinar tem vindo a implementar um vasto conjunto de intervenções ecológicas no charco e na sua envolvente, com o propósito de reforçar o equilíbrio dos ecossistemas e consolidar o papel do Parque como um laboratório vivo de sustentabilidade ambiental”, enaltece.
Entre as acções destacam-se a introdução de novas espécies de vegetação aquática, a plantação de árvores de fruto autóctones, o “controlo rigoroso” de espécies exóticas invasoras, a gestão ecológica da vegetação espontânea e a instalação de abrigos destinados a diversos grupos faunísticos.
Segundo a autarquia, “estas medidas integram uma estratégia municipal mais ampla de valorização da natureza urbana e de mitigação dos efeitos das alterações climáticas” e “os resultados deste trabalho têm sido particularmente expressivos”.
“Das quatro espécies de vegetação aquática inicialmente identificadas, o charco do Picoto passou a albergar 43 espécies distintas, algumas delas com distribuição restrita em território nacional, conferindo à área um valor ecológico de excelência. Esta variedade tem potenciado a diversificação dos macroinvertebrados e favorecido a reprodução de várias espécies de anfíbios, nomeadamente o tritão-palmado (Lissotriton helveticus) e o tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai)”, explica o município.
Foram igualmente registadas diversas espécies de répteis e mamíferos, incluindo um casal de raposas (Vulpes vulpes), micromamíferos como o rato-do-campo (Apodemus sylvaticus) e o musaranho-de-dentes-brancos (Crocidura russula), que integram a dieta da coruja-das-torres (Tyto alba), uma das aves de rapina noturnas observadas no parque. No que respeita à avifauna diurna, foram identificadas 28 espécies, confirmando-se a nidificação do chapim-real (Parus major) nas caixas-ninho instaladas.
A Câmara de Braga assinala que “o charco tem ainda demonstrado ser um distinto ponto de alimentação para morcegos, com registo de morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus) e morcego-de-Kuhl (Pipistrellus kuhlii). A adoção de práticas de gestão ecológica (como o corte tardio da vegetação espontânea) tem favorecido a presença de numerosos grupos faunísticos (sobretudo invertebrados), dos quais foram já identificadas 33 espécies distintas”.
“Apesar dos resultados francamente positivos, a manutenção da funcionalidade ecológica do charco exige um acompanhamento técnico contínuo e especializado. Esta monitorização tem sido capaz de garantir a deteção precoce de espécies exóticas invasoras e o controlo de espécies oportunistas que possam comprometer o equilíbrio do ecossistema, nomeadamente através de processos de eutrofização”, vinca a Câmara de Braga.












