Ministra da Administração Interna apresenta demissão após críticas à resposta às tempestades

Maria Lúcia Amaral deixou o cargo esta terça-feira, alegando não reunir condições pessoais e políticas para continuar funções. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, assume temporariamente a tutela da Administração Interna.


A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, apresentou esta terça-feira a demissão do cargo, invocando já não dispor das condições pessoais e políticas necessárias para se manter em funções. A saída foi proposta pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que assumirá interinamente as respetivas competências.

O pedido de demissão foi aceite pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conforme comunicado divulgado na página oficial da Presidência da República.

A demissão ocorre num contexto de forte pressão política e social, na sequência da passagem das tempestades Kristin, Leonardo e Marta, que nas últimas semanas provocaram elevados prejuízos materiais e afetaram várias populações em diferentes regiões do país.

Ainda esta terça-feira, Henrique Gouveia e Melo defendeu publicamente a saída da governante, considerando que o Estado falhou na resposta às populações afetadas. Também o Bloco de Esquerda voltou a exigir a demissão da ministra, afirmando que Maria Lúcia Amaral estava “a mais” no Governo e que não correspondeu às responsabilidades do cargo face à dimensão dos impactos das intempéries.

Na semana passada, a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias aprovou por unanimidade a audição urgente da ministra da Administração Interna e do secretário de Estado da Proteção Civil, com o objetivo de esclarecer a atuação governamental perante a tempestade Kristin e as falhas registadas no funcionamento do sistema SIRESP.

Com a demissão agora formalizada, caberá ao primeiro-ministro assegurar temporariamente a pasta da Administração Interna, enquanto é definida uma solução governativa definitiva para a tutela do setor.

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