APAV apoiou mais de 18.500 vítimas em 2025, maioria por violência doméstica

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 18.549 vítimas em 2025, registando um aumento de quase 42% face a 2020, ano em que tinha acompanhado 13.093 pessoas. Os dados foram divulgados a propósito do Dia Europeu da Vítima de Crime, que se assinala a 22 de fevereiro, e revelam uma tendência de crescimento sustentado na procura de ajuda junto da instituição.

Desde 2020, o número de vítimas apoiadas tem vindo a aumentar de forma consistente: 13.234 em 2021, 14.688 em 2022, 16.185 em 2023, 16.630 em 2024 e, agora, 18.549 em 2025 — uma subida de 11,5% só no último ano.

Segundo a APAV, o aumento explica-se não apenas pela maior abrangência dos serviços disponibilizados, mas também pelo crescimento de algumas formas de criminalidade, em particular a violência doméstica. De acordo com Carla Ferreira, assessora técnica da direção da instituição, os crimes reportados em contexto de violência doméstica aumentaram 10% face a 2024, embora o peso relativo deste crime no total tenha diminuído cerca de 2%.

Mais de 35 mil crimes registados

Às mais de 18.500 vítimas apoiadas em 2025 correspondem 35.341 crimes e outras formas de violência, um aumento de 13,1% em relação ao ano anterior. Deste total, 26.124 denúncias dizem respeito a violência doméstica, representando 73,9% de todos os crimes registados.

Além da violência doméstica, foram ainda contabilizados:

1.076 casos de conteúdo de abuso sexual de menores

889 ofensas à integridade física

864 casos de abuso sexual de menores

858 situações de coação ou ameaça

662 crimes de difamação

576 casos de discriminação ou incitamento ao ódio

539 burlas

239 crimes de perseguição

232 violações de pessoas adultas

Em média, a APAV apoiou 357 pessoas por semana, 51 por dia e duas por hora ao longo de 2025.

Perfil das vítimas

O perfil geral da vítima apoiada pela APAV é mulher (75,5%), com idade média de 37 anos, que procurou ajuda sobretudo por violência doméstica (75,7%).

Entre as pessoas idosas, a maioria das vítimas é também do sexo feminino, com idade média de 76 anos. Os agressores são, na maioria dos casos, os filhos ou o cônjuge, e 81,2% dos pedidos de ajuda estão relacionados com violência doméstica. No total, a APAV apoiou 2.017 pessoas idosas em 2025.

No caso das crianças e jovens, 58,1% são raparigas, com idade média de 10 anos. Os agressores são maioritariamente progenitores ou padrastos. Além da violência doméstica (60,4%), destaca-se o registo de situações em que as vítimas foram filmadas para produção de conteúdos de abuso sexual (14,5%).

Entre os homens adultos apoiados, a idade média é de 48 anos, sendo 65,5% vítimas de violência doméstica. Os agressores são sobretudo o cônjuge (12,7%) ou os filhos (9,7%). A APAV registou, em média, seis casos por dia neste grupo.

Já nas mulheres adultas, com idade média de 45 anos, 85,8% recorreram à instituição por situações de violência doméstica, perpetradas principalmente por cônjuges (20%) ou ex-companheiros (14,2%). Em 2025, foram apoiadas 10.327 mulheres adultas, o que corresponde a uma média de 28 por dia.

Os dados agora divulgados confirmam a centralidade da violência doméstica no universo de crimes acompanhados pela APAV e evidenciam a crescente procura de apoio por parte das vítimas em Portugal.

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