População protesta por mais médicos em Vieira do Minho

Cerca de três centenas de pessoas concentraram-se esta segunda-feira junto ao Centro de Saúde de Vieira do Minho para protestar contra a falta de médicos no concelho e exigir melhores condições de acesso aos cuidados de saúde primários.

O protesto surgiu no âmbito de uma iniciativa promovida pela Comissão de Utentes da Saúde de Braga, inicialmente prevista como conferência de imprensa, mas que acabou por reunir dezenas de utentes num momento de contestação marcado por palavras de ordem e manifestações de descontentamento.

Segundo a comissão de utentes, existem apenas quatro médicos para cerca de 14 mil utentes no concelho: dois a exercer no centro de saúde e outros dois nas extensões de Ruivães e Rossas. A maioria da população encontra-se sem médico de família, havendo casos de utentes que aguardam anos pela atribuição de clínico e meses para conseguir uma consulta.

Durante o protesto, ouviram-se palavras de ordem como “Queremos mais médicos para Vieira do Minho”, “A saúde é um direito e não um privilégio” e “Vieira está esquecida”.

O porta-voz da comissão, José Lobato, explicou aos jornalistas que a falta de resposta nos cuidados de saúde primários acaba por provocar um efeito indireto nos serviços hospitalares. “Como as pessoas não conseguem consulta aqui, acabam por recorrer às urgências do Hospital de Braga, o que sobrecarrega ainda mais o sistema”, afirmou.

Outro elemento da comissão, Domingos Cerqueira, criticou o facto de o centro de saúde ter beneficiado recentemente de um investimento significativo sem que tenha sido garantido o reforço de profissionais. “Foi investido cerca de 1,7 milhões de euros nas instalações. Temos um Ferrari, mas sem motor e sem rodas”, disse.

O atual centro de saúde foi inaugurado em julho de 2024 pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, numa intervenção destinada a melhorar as condições físicas da unidade.

Autarquia manifesta preocupação

No protesto marcou também presença o presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, Filipe de Oliveira, acompanhado pelo vice-presidente Pedro Pires e pela vereadora Sofia Rocha.

O autarca manifestou solidariedade com as reivindicações da população e recordou que, após tomar posse em outubro de 2025, solicitou uma reunião com o conselho de administração da Unidade Local de Saúde de Braga para abordar o problema da falta de médicos.

Segundo Filipe de Oliveira, nessa reunião foi destacada a ausência prolongada de três médicos ainda sem substituição e a necessidade de reforçar os meios disponíveis no concelho. O presidente da autarquia revelou ainda que está agendada uma nova reunião na próxima semana, a realizar em Vieira do Minho, com o objetivo de expor diretamente à administração da ULS as dificuldades enfrentadas pela população.

O município tem também procurado minimizar os impactos da situação através do financiamento parcial do Serviço de Atendimento Complementar, que funciona de segunda a sexta-feira entre as 20h00 e as 00h00, representando um investimento municipal na ordem dos 50 mil euros anuais.

A autarquia garante que continuará a acompanhar o processo e a pressionar as entidades responsáveis para que sejam encontradas soluções concretas para reforçar o número de médicos e assegurar um acesso adequado aos cuidados de saúde no concelho.

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