Câmara de Amares aprova contas de 2025 com saldo positivo de 2,4 milhões

A Câmara de Amares aprovou, esta quinta-feira, os documentos de prestação de contas de 2025, que revelam um saldo positivo de cerca de 2,4 milhões de euros e refletem a ação da anterior executivo. Da oposição, chegaram críticas ao modelo de gestão e à ausência de investimento em comparação com a receita arrecadada.

A proposta foi aprovada com os votos a favor do presidente e do vice-presidente da Câmara, Emanuel Magalhães e João Januário Barros, eleitos pelo PSD, e do vereador do PS Delfim Rodrigues, que integrou o anterior executivo em permanência. O outro representante socialista, Pedro Costa, absteve-se, tal como Rui Tomada (Amar e Servir Amares), enquanto Álvaro Silva (Renascer Amares) votou contra. A vereadora Cidália Abreu (PSD) não esteve na reunião.

No período de intervenções, Pedro Costa começou por dizer que este é “claramente um documento de fim de ciclo”, uma vez que o atual executivo só tomou posse no final de outubro, mas considerou que há “alertas” que devem ser tomados em conta e que falta uma “análise interpretativa” dos números, nomeadamente em termos políticos.

“Apesar de ser apresentado um resultado líquido positivo de 2,4 milhões de euros, o documento não esclarece os fatores que lhe estão subjacentes. Não se distingue entre resultados estruturais e conjunturais, nem se avalia a sustentabilidade financeira do município”, apontou.

Pedro Costa criticou a “ausência de indicadores de desempenho e de avaliação de impacto das políticas públicas”. “E a pergunta surge: estamos a gastar muito, mas estamos a gastar bem?”, questionou, sublinhando que, embora o relatório detalhe despesas, investimentos e apoios sociais, “não permite aferir a sua eficácia”.

Para o vereador do PS, “isto não é prestação de contas, é prestação de números para fechar a porta com boa aparência”. “A nossa realidade tem de mudar e isso não se faz com a produção de bons documentos contabilísticos”, defendeu.

Já o outro eleito socialista, Delfim Rodrigues, que votou a favor, disse estar numa “posição muito difícil”, uma vez que teve funções executivas no último mandato, na liderança de Manuel Moreira (PSD/CDS), do qual foi vice-presidente. Por isso, embora tenha defendido a necessidade de “mais transparência”, nomeadamente na rubrica de despesas correntes, afirmou que “não podia” abster-se ou votar contra.

“A ação foi sempre na base da boa fé. No início deste mandato, votei a favor de uma auditoria, porque acredito que está tudo dentro da legalidade”, afirmou Delfim Rodrigues.

FALTA DE INVESTIMENTO

Para o vereador do Renascer Amares, Álvaro Silva, este relatório de gestão “ficará marcado por ser um dos mais penalizadores” para o concelho. “Nunca um executivo com tanto fez tão pouco. Não sou eu que o digo, são os números”, indicou, criticando a falta de investimento em comparação com a receita arrecadada.

O vereador independente sublinhou que 2025 “foi o ano que o município mais receita arrecadou”, cerca de dois milhões acima do orçamentado, mas que isso não se traduziu em desenvolvimento do concelho, tendo até existido um “recuo” do investimento de capital em comparação com 2024.

“Os amarenses foram chamados a pagar mais impostos municipais, mais taxas, mais água, mais saneamento e mais serviços. Seria legítimo esperar que o esforço acrescido das famílias e das empresas fosse devolvido ao concelho sob a forma de investimento em melhores estradas, melhores escolas, mais saneamento, mais infraestruturas e melhores condições para atrair empresas e criar emprego, mas não foi isso que aconteceu”, criticou.

Álvaro Silva considerou que o relatório “mostra uma realidade preocupante” e uma “gestão acomodada, com falta de estratégia”, na qual “as despesas disparam e o investimento cai”. “Em 2025, o município gastou 2,7 vezes mais em almoços, estadias e despesas associadas do que investiu em escolas do concelho, onde foram aplicados apenas 41 mil euros”, enfatizou.

MODELO DIFERENTE

O apelo a um modelo de governação diferente foi também deixado pelo vereador do Amar e Servir Amares, Rui Tomada, que fez apenas uma declaração lacónica para anunciar a abstenção: “Não tenho qualquer dúvida que é preciso mudar e fazer diferente”.

Antes da votação, o presidente da Câmara Municipal, Emanuel Magalhães, disse que não iria fazer qualquer intervenção nem análise política já que apenas tomou posse no dia 31 de outubro e que as contas refletem sobretudo a gestão do anterior executivo, sendo avaliadas do ponto de vista técnico.

“No próximo relatório de contas, obviamente já estará refletida a nossa forma de atuar e poderão contar com transparência absoluta, porque isso é algo de que não abdico”, garantiu o autarca.

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