O Município de Esposende decidiu abandonar o projeto de construção de um novo centro de saúde na cidade, optando, em alternativa, pela requalificação do edifício atualmente em funcionamento. A decisão, tomada em reunião de Câmara, gerou forte contestação por parte do PSD local, que acusa o executivo de “falta de visão estratégica” e de incoerência política.
A opção agora seguida implica a reabilitação do equipamento existente, num investimento de 3,18 milhões de euros, financiado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A proposta foi aprovada com os votos favoráveis da maioria do movimento independente “Mudança” e os votos contra dos vereadores social-democratas.
PSD critica “mudança de posição incompreensível”
O presidente da concelhia do PSD de Esposende, António Morgado, afirmou que a decisão representa um “golpe de rins” por parte dos atuais responsáveis autárquicos, recordando que, em mandatos anteriores, os mesmos eleitos terão votado favoravelmente a construção de um novo centro de saúde.
Segundo o dirigente, também o atual chefe de gabinete do presidente da Câmara, então vereador eleito pelo PSD, apoiava o projeto agora abandonado.
“Também o atual chefe de gabinete do presidente, que era vereador do PSD no anterior mandato, votou a favor. Agora, sabe-se lá porquê, mudaram de ideias, numa decisão totalmente incompreensível e que consideramos lesiva dos interesses do concelho”, afirmou.
António Morgado defende que a construção de um novo edifício era “a melhor solução para o concelho”, criticando a alternativa escolhida por considerar que se trata de uma “solução de remedeio”, sem capacidade de expansão e com limitações ao nível de acessos e estacionamento.
O PSD alerta ainda para os custos associados à utilização de espaços provisórios durante a execução da obra.
Câmara justifica decisão com “avaliação técnica cuidada”
Em comunicado, o executivo liderado por Carlos Silva defende que a opção pela requalificação resulta de uma “avaliação técnica cuidada” ao processo, realizada em articulação com a Unidade Local de Saúde de Barcelos/Esposende e com profissionais do setor.
Segundo a autarquia, concluiu-se que a modernização do edifício existente permite garantir “exatamente as mesmas valências assistenciais previstas para o novo equipamento”, sem perda de qualidade no serviço prestado.
A maioria sublinha ainda que a solução adotada representa uma utilização mais eficiente dos recursos públicos, permitindo “investir melhor” através da reabilitação em vez da construção nova.
“Porque investir melhor é, muitas vezes, saber requalificar em vez de construir novo”, refere o comunicado.
O executivo acrescenta que a opção pela requalificação permitirá igualmente preservar um terreno com potencial estratégico para futuros projetos estruturantes do concelho.
Intervenção prevê modernização total do edifício
A intervenção agora aprovada inclui a reorganização dos espaços interiores, a melhoria do conforto térmico e acústico, a atualização das infraestruturas técnicas e a requalificação dos espaços exteriores.
O projeto enquadra-se no financiamento já aprovado pelo PRR e visa garantir melhores condições de atendimento aos utentes e de trabalho para os profissionais de saúde, segundo a autarquia.
A decisão marca uma mudança significativa na estratégia inicial do município, que previa a construção de um novo centro de saúde, com investimento global estimado em seis milhões de euros.












