Probabilidade de um “super” El Niño aumenta e pode intensificar impactos climáticos globais

As probabilidades de ocorrência de um “super” El Niño aumentaram significativamente, segundo uma atualização recente do Climate Prediction Center (CPC) da NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration, que indica que o fenómeno está a desenvolver-se no Oceano Pacífico mais rapidamente do que o previsto.

De acordo com os dados divulgados, existe atualmente uma probabilidade de cerca de dois terços de que o El Niño atinja intensidade forte ou muito forte durante o próximo outono ou inverno, com alguns cenários a apontarem para a possibilidade de um evento classificado como “super El Niño”.

O El Niño é um ciclo climático natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico tropical aquecem acima da média, alterando padrões de vento e influenciando o clima em várias regiões do planeta, com impactos em cascata na precipitação, temperatura e circulação atmosférica global.

Aquecimento do Pacífico acelera evolução do fenómeno

Atualmente, a temperatura da superfície do Pacífico equatorial encontra-se ligeiramente abaixo do limiar de 0,5°C acima da média, mas as previsões apontam para uma subida acima desse valor já no próximo mês, sinalizando um fortalecimento gradual do fenómeno ao longo do verão e do outono.

As probabilidades de persistência até ao inverno foram revistas em alta, situando-se agora em cerca de 96%, o que torna altamente provável a sua manutenção durante os meses mais frios no Hemisfério Norte.

A possibilidade de um “super El Niño” entre novembro e janeiro aumentou de cerca de 25% para aproximadamente 33%, segundo o CPC, num contexto em que modelos climáticos apontam para um evento potencialmente muito intenso.

Impactos globais podem ser significativos

Os El Niños mais fortes estão associados a alterações climáticas mais extremas, incluindo secas prolongadas, cheias intensas e alterações nos padrões de tempestades tropicais.

Entre os impactos mais prováveis estão a redução da atividade de furacões no Atlântico e o aumento da atividade no Pacífico central e oriental, com maior risco para regiões como o Havai e o sudoeste dos Estados Unidos.

Em termos globais, fenómenos El Niño intensos tendem também a contribuir para um aumento das temperaturas médias do planeta, podendo influenciar 2026 ou 2027 como potenciais anos entre os mais quentes já registados.

Cenários extremos ainda em avaliação

Embora a classificação de “super El Niño” dependa de um aquecimento superior a 2°C acima da média na região equatorial do Pacífico, alguns modelos meteorológicos apontam para a possibilidade de este evento se aproximar dos mais fortes já registados, comparável aos episódios de 1997-1998 ou 2015-2016.

Ainda assim, especialistas sublinham que a intensidade final do fenómeno pode variar, e que nem todos os El Niños fortes produzem impactos climáticos proporcionais em todas as regiões afetadas.

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