Braga vai passar a contar com um Centro de Saúde Sexual, um projeto inovador que pretende integrar, num único espaço, várias respostas na área da saúde sexual, conjugando valências dos cuidados de saúde primários, saúde pública e infecciologia. A iniciativa foi uma das duas vencedoras da 6.ª edição da Bolsa Capital Humano em Saúde, promovida pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).
Em comunicado, a Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga explica que o novo centro tem como principal objetivo reunir serviços e programas que atualmente funcionam de forma dispersa, criando uma resposta mais coordenada, acessível e centrada nas necessidades dos utentes. A estrutura deverá ficar instalada no edifício da Saúde Pública de Braga.
O Centro de Saúde Sexual passará a integrar o Centro de Aconselhamento e Deteção Precoce do VIH (CAD), o Programa Autoestima, dirigido a trabalhadores do sexo, a Consulta Comunitária de Medicina Sexual, bem como as consultas de Profilaxia Pré-Exposição ao VIH (PrEP) e de Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST) do Serviço de Infecciologia.
Segundo a ULS de Braga, esta reorganização permitirá alargar horários de atendimento, criar uma unidade móvel, reforçar ações de rastreio e prevenção das IST e descentralizar o acesso à profilaxia pós-exposição (PPE) e à PrEP em contexto comunitário, numa estratégia articulada com a saúde escolar, municípios e outros parceiros locais.
O projeto contempla ainda a criação de uma consulta específica para o tratamento rápido de pessoas com sintomas de infeções sexualmente transmissíveis e dos seus parceiros, bem como uma resposta pioneira no Minho para o acompanhamento de situações de consumo de drogas em contexto sexual, em colaboração com o Centro de Respostas Integradas (CRI).
A pertinência da iniciativa é sustentada pelos dados epidemiológicos da região. Em 2024, foram registados 207 casos confirmados de VIH e outras infeções sexualmente transmissíveis na área de abrangência da ULS de Braga, constituindo o grupo de doenças de notificação obrigatória com maior expressão na região.
A instituição alerta ainda para a existência de subnotificação nestas patologias, admitindo que a incidência real possa ser superior, o que reforça a necessidade de respostas mais acessíveis e articuladas.
A coordenação do projeto está a cargo de Sofia Fernandes Lopes, médica de Saúde Pública da ULS Braga, integrando também Ana Luísa Carvalho de Graça, médica especialista em Doenças Infecciosas e coordenadora das consultas de PrEP e IST do Hospital de Braga. A equipa multidisciplinar inclui ainda profissionais de medicina geral e familiar, enfermagem, psicologia, serviço social e fisioterapia.
Para o presidente do Conselho de Administração da ULS Braga, Américo Afonso, o reconhecimento alcançado na Bolsa Capital Humano em Saúde evidencia a capacidade da instituição para desenvolver soluções inovadoras e integradas.
“Este reconhecimento reflete a capacidade para desenvolver respostas inovadoras e verdadeiramente integradas, que aproximam os cuidados hospitalares dos cuidados de saúde primários e da comunidade”, afirma.
Além da prestação de cuidados, o futuro Centro de Saúde Sexual terá também uma vertente de formação e investigação, promovendo a produção de conhecimento científico na área da saúde sexual.
A distinção atribuída pela APAH garante ainda ao projeto um programa de consultoria especializada da Nobox, que acompanhará a equipa na conceção e implementação da nova estrutura ao longo de 2026.
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