Cabeceiras de Basto homenageia fotógrafo amarense Manuel Correia em ciclo “Memórias do Território”

A Casa da Lã, em Bucos, no concelho de Cabeceiras de Basto, abriu na última sexta-feira (26) um ciclo de conferências subordinado ao tema “Memórias do Território”, evocando a memória do fotógrafo amarense Manuel Correia, recentemente falecido. Tinha as raízes familiares em Caldelas, no concelho de Amares, embora estivesse radicado em Braga.

A homenagem marcou a sessão inaugural do programa cultural dedicado à valorização das tradições ligadas à lã, num espaço museológico que preserva a memória da produção artesanal na aldeia de Bucos. O momento de abertura contou com uma evocação do trabalho do fotógrafo, reconhecido pelo seu vasto arquivo visual sobre o território e as suas comunidades.

A sessão iniciou-se às 10h30 e integrou uma intervenção de Teresa Soeiro, docente aposentada da Universidade do Porto e investigadora do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, que abordou o tema “Pastagens, guardadores de gado, rebanhos e lobos nas comunidades de montanha – A lã, de velo a burel”, enquadrando historicamente a importância desta atividade económica e cultural.

Natural de Caldelas, no concelho de Amares, Manuel Correia nasceu em 1966 e iniciou a sua atividade fotográfica em 1986. Ao longo de quase quatro décadas de carreira, construiu um percurso sólido na fotografia de reportagem, institucional, arquitetura, património e projetos autorais, com uma forte ligação à cidade de Braga.

Reconhecido como um dos mais importantes cronistas visuais da região, o fotógrafo registou festas, tradições e momentos da vida comunitária, contribuindo de forma significativa para a preservação da memória coletiva. O seu trabalho ultrapassou o registo documental, assumindo também uma dimensão artística e patrimonial.

Manuel Correia morreu aos 59 anos, em Angola, onde se encontrava em trabalho, vítima de doença súbita, deixando um vasto acervo fotográfico que hoje constitui um importante testemunho da identidade cultural do território.

A sua ligação à cultura popular e às instituições locais foi uma constante ao longo da carreira, destacando-se a participação em exposições e projetos dedicados à valorização da memória coletiva, onde o seu olhar sensível sobre pessoas e lugares continuou a ser amplamente reconhecido.

A homenagem em Cabeceiras de Basto sublinha, assim, o legado de um fotógrafo que transformou a observação do quotidiano num arquivo vivo da identidade cultural do Minho.

[email protected]

ÚLTIMAS NOTÍCIAS