Os peregrinos que pretendam percorrer o Caminho da Geira e dos Arrieiros passam a contar com uma nova ferramenta de apoio: o “Caminho da Geira e dos Arrieiros – Guia Completo”, uma publicação que reúne informação detalhada sobre as 10 etapas daquele que é considerado um dos principais percursos de ligação entre Braga e Santiago de Compostela.
A obra, da autoria de Carlos da Barreira, José Manuel Almeida e Gaetano Pucca, apresenta uma descrição pormenorizada do itinerário, reunindo informação histórica, patrimonial e prática para quem realiza a peregrinação.
Com 186 páginas, o guia inclui mais de 200 fotografias de monumentos, igrejas, edifícios históricos, pontes, miliários romanos, cascatas e rios, permitindo aos peregrinos conhecer melhor a riqueza cultural e natural do percurso.
Segundo Carlos da Barreira, a publicação disponibiliza também informação essencial para a preparação da caminhada, incluindo alojamentos, restaurantes, bares, farmácias e outros serviços, bem como mapas e perfis de elevação de todas as etapas.
“O guia descreve também a dificuldade de cada etapa e informação útil, como distâncias, desníveis, tipo de terreno, património histórico e natureza”, explicou o autor.
Apresentação em Amares
O “Caminho da Geira e dos Arrieiros – Guia Completo” será apresentado na próxima sexta-feira, 31 de julho, às 19h00, no Auditório de Caldelas, no concelho de Amares, numa sessão aberta ao público.
Durante a apresentação, a publicação poderá ser adquirida a um preço reduzido. As primeiras versões disponibilizadas são em português e espanhol, estando previstas para breve edições em inglês e italiano, entre outros idiomas.
Carlos da Barreira adianta que esta primeira edição ainda poderá receber melhorias: “É uma versão à qual faltam pequenas correções de texto e de paginação, que nos próximos meses será melhorada com as sugestões dos peregrinos, prevendo-se que, no final de outubro, seja apresentada a versão definitiva”.
A obra já está registada e estará disponível online através da Amazon, pelo valor de 19 euros, bem como em algumas livrarias físicas especializadas nos Caminhos de Santiago. As receitas obtidas destinam-se a suportar os custos de uma página na internet dedicada ao Caminho da Geira e dos Arrieiros.
Um caminho entre história, natureza e espiritualidade
No início da publicação, o jornalista e peregrino Carlos Ferreira destaca a singularidade do percurso, sublinhando a ligação entre a paisagem, a história e a espiritualidade.
“A amplitude da riqueza natural e patrimonial do Caminho da Geira Romana e dos Arrieiros transporta-nos aos tempos ancestrais dos romanos e da construção da Catedral de Santiago de Compostela”, escreve, descrevendo um itinerário que atravessa “florestas, bosques e vinhedos, atravessados por rios largos e pequenos ribeiros”.
Para o autor, trata-se de “um itinerário de espiritualidade, descoberta e aventura, que convida os peregrinos a regressarem ao verdadeiro Caminho”.
Com cerca de 239 quilómetros, o percurso inicia-se na Sé de Braga, atravessa os municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, entrando na Galiza através da Portela do Homem.
Caminho com património único
Apresentado em 2017, em Ribadavia, na Galiza, e em Braga, o Caminho da Geira e dos Arrieiros foi reconhecido pela Igreja em 2019 e posteriormente divulgado em publicações do Eixo Atlântico e do Turismo do Porto e Norte de Portugal.
O percurso integra atualmente a lista dos caminhos culturais a homologar pelo Governo da Galiza e tem vindo a ganhar projeção internacional.
Segundo as associações promotoras, já foi percorrido por 8.657 peregrinos, dos quais 1.364 no último ano, provenientes de cerca de meia centena de países. Deste total, 3.596 peregrinos receberam a Compostela, documento atribuído aos peregrinos que cumprem os requisitos da peregrinação a Santiago.
Entre os principais elementos distintivos do percurso estão a Geira Romana, considerada uma das vias romanas mais bem conservadas do antigo Império Romano do Ocidente, e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés.
Além da importância histórica e ambiental, este caminho destaca-se por ser um dos poucos percursos que ligam diretamente a cidade de Braga à Catedral de Santiago de Compostela, mantendo viva uma ligação secular entre territórios, culturas e comunidades.















