A passagem da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) está a gerar preocupação entre associações ambientalistas, que contestam a realização de uma etapa em áreas consideradas de elevada sensibilidade ecológica. O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) confirmou esta quarta-feira que está a analisar o pedido de parecer relativo ao percurso da prova.
“O ICNF recebeu um pedido de parecer sobre o percurso da Volta a Portugal em Bicicleta, que se encontra em análise”, informou o instituto em resposta enviada à agência Lusa.
Em causa está a 7.ª etapa da prova, marcada para 13 de agosto, que liga Vieira do Minho às Termas do Gerês e atravessa o território do único Parque Nacional português, incluindo zonas como a Mata de Albergaria, no concelho de Terras de Bouro, uma das áreas mais emblemáticas e protegidas do PNPG.
O percurso previsto inclui a passagem pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, seguindo depois pela Estrada Nacional 308-1 até à Portela de Leonte e atravessando a Mata de Albergaria através da estrada florestal até à Portela do Homem.
A associação Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável foi uma das primeiras entidades a manifestar reservas sobre a iniciativa, solicitando esclarecimentos à Federação Portuguesa de Ciclismo e ao ICNF sobre as autorizações existentes e o traçado definitivo da etapa.
A organização ambientalista recorda que o Parque Nacional da Peneda-Gerês é a única área classificada como Parque Nacional em Portugal, integrando a Zona Especial de Conservação Peneda/Gerês e abrangendo áreas com diferentes níveis de proteção, incluindo a Mata de Albergaria, classificada como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa.
A Zero defende que devem ser divulgados publicamente o percurso exato e a documentação associada à autorização da passagem da prova, permitindo um maior escrutínio por parte da sociedade civil.
Também a FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade manifestou “profunda preocupação” com a passagem da Volta a Portugal pelo PNPG, classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.
“Nada nos move contra a Volta a Portugal, mas muito nos mobiliza em defesa do nosso único Parque Nacional: a biodiversidade, a paisagem, a cultura local, o turismo rural, entre muitos outros valores que o Parque Nacional deve acautelar”, refere a associação.
A FAPAS alerta para o impacto que poderá resultar não apenas da passagem dos ciclistas, mas também da presença da caravana associada à competição, composta por veículos de apoio, motociclos, sistemas sonoros e concentração de público numa zona considerada particularmente vulnerável.
A associação questiona ainda se o ICNF já emitiu o respetivo parecer e solicita a divulgação pública desse documento, considerando que a realização da etapa está dependente de autorização da entidade responsável pela gestão do Parque Nacional.
A Volta a Portugal em bicicleta realiza-se entre 5 e 16 de agosto, ligando Lisboa ao Porto, num total de 1.388 quilómetros, distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio. A decisão sobre a passagem da prova pelo Gerês ficará dependente da avaliação do ICNF.












