A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alerta para um possível agravamento da situação hidrológica durante a noite, devido à previsão de picos de precipitação no Norte e Centro do país. Apesar de os caudais se manterem, para já, abaixo dos níveis de alerta, há uma tendência generalizada de subida, levando a APA a admitir que o país atravessa uma «fase complicada».
A APA prevê um agravamento do risco de cheias nas próximas horas, em particular nas bacias hidrográficas do Norte e Centro, na sequência da previsão de precipitação intensa. Segundo o presidente da APA, José Pimenta Machado, são esperados «picos de precipitação» durante a noite, o que poderá refletir-se num aumento rápido dos caudais dos principais rios.
«Temos ainda muita chuva. Esta noite, de acordo com as condições meteorológicas, ainda vai ocorrer muita precipitação», afirmou o responsável, salientando que a situação é especialmente preocupante nas bacias a norte do Mondego e no rio Tejo.
Embora Águeda seja atualmente o ponto mais crítico, os restantes cursos de água ainda não atingiram os níveis de alerta, apesar de registarem uma tendência de subida.
Minho e Cávado com situação controlada
Relativamente à região do Minho, José Pimenta Machado indicou que o caudal do rio Minho se encontra nos 1.000 metros cúbicos por segundo, abaixo do nível de alerta fixado nos 1.400. «A situação está controlada», referiu.
No rio Cávado, a Barragem da Caniçada encontra-se a descarregar cerca de 500 metros cúbicos por segundo. Em Amarante, o caudal ronda igualmente os 1.000 metros cúbicos por segundo. «A situação está controlada, mas obriga a particular atenção. Tem de ser muito bem controlada e monitorizada», sublinhou o presidente da APA.
Já nos rios Douro, Mondego e Tejo, os caudais são, para já, considerados geríveis, embora também apresentem tendência de subida. No Tejo, o caudal é de cerca de 1.800 metros cúbicos por segundo, sendo que «o valor que nos preocupa é acima dos 2.300», explicou.
Descargas de Espanha e solos saturados aumentam incerteza
Um dos fatores de incerteza prende-se com as descargas das barragens espanholas. «Recebemos informação de que irão aumentar um pouco os caudais, mas ainda é gerível», assegurou José Pimenta Machado.
O responsável destacou ainda que a sucessão de tempestades tem agravado significativamente o risco de cheias. «Estamos a passar uma situação verdadeiramente excecional. Os solos estão saturados, não absorvem nada. Qualquer chuva transforma-se em escorrência. Temos as barragens cheias», afirmou.
«Já vamos na quarta, quinta, sexta tempestade seguida. Hoje vai chover muito durante a noite. Amanhã haverá algum alívio, mas na quinta-feira regressa a chuva e, para a semana, teremos mais precipitação. Estamos a passar uma fase muito, muito complicada», reconheceu.
Apesar do cenário adverso, o presidente da APA deixou uma nota de confiança: «Estamos confiantes que as coisas vão correr bem, mas temos pela frente dias de alguma complexidade».
A APA e a Proteção Civil mantêm a situação sob monitorização permanente, apelando à população para que adote comportamentos preventivos e esteja atenta às informações oficiais.












