O presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, anunciou esta sexta-feira que o plano municipal de segurança rodoviária deverá estar pronto no início de julho, podendo a instalação de radares ser uma das soluções propostas.
“Não vejo obstáculo nenhum a isso [instalação de radares]. Eu não quero radar para garantir meios financeiros para a Câmara Municipal. Há determinadas zonas onde manifestamente os radares resolveriam muitas coisas, não tenho dúvida nenhuma”, referiu o autarca, em declarações aos jornalistas no final da reunião quinzenal do executivo.
No entanto, sublinhou que a última palavra sobre a instalação ou não de radares de velocidade caberá ao plano municipal de segurança rodoviária.
“O plano de segurança rodoviária pode dizer que não há radar nenhum”, apontou.
RUI ROCHA FALA EM “MASSACRE”
A questão da sinistralidade rodoviária, em particular os atropelamentos, foi levantada na reunião desta sexta-feira pela oposição, tendo mesmo o vereador da Iniciativa Liberal (IL), Rui Rocha, falado num “massacre” das estradas de Braga.
“Todos os dias, praticamente, estamos a ter pessoas que têm acidentes, que são atropeladas, que ficam com a sua vida estragada, ou mesmo que perdem a sua vida no município de Braga. É inaceitável”, disse Rui Rocha.
O vereador da IL lembrou que o plano municipal de segurança rodoviária foi anunciado há mais de um ano, mas ainda não avançou.
“Passaram 12 meses. Se tivermos em conta que temos tido atropelamentos, em média, de três em três dias, vejam quantas pessoas poderiam, neste momento, não estar a sofrer se houvesse esse plano, se fossem identificados os pontos negros da cidade, se fossem tomadas medidas que podem ser variadas. Nós não podemos continuar a assistir a este massacre a acontecer em Braga e a ter o plano de segurança rodoviária na gaveta”, acrescentou.
Na resposta, João Rodrigues manifestou preocupação com o problema e anunciou que o plano deverá estar fechado em inícios de julho.
“Não é um documento de cabeceira, é um documento para ser posto em prática, é um documento onde há dados e há informação (…), segundo parâmetros oficiais de qualidade (…). Um documento absolutamente fulcral para olharmos para o território num todo e para atuarmos de forma concertada, planeada, porque nós temos noção de que há muitas falhas e há muitas questões para resolver”, adiantou.
“PECA POR TARDIO”
O vereador Ricardo Silva, do movimento Amar e Servir Braga, disse que o plano “já peca por tardio”, considerando que em causa estão “questões que já são mais que conhecidas”, muitas das quais entraram nos programas eleitorais.
“Aquilo que nós queremos efetivamente é que se comece a passar das palavras às ações e que não tenhamos de esperar tanto tempo para salvaguardar a vida humana (…). Acima de tudo, o município tem de chamar a si esta responsabilidade de transformar a morfologia da cidade, precisamente para criar alguns condicionamentos ao excesso de velocidade. Pode ser com a transformação das vias, com a colocação das passadeiras alteadas, com os radares. Os mecanismos existem e já estão mais que aferidos e mais que verificados”, reclamou.
João Rodrigues sublinhou que o município não está à espera do plano para começar a tomar medidas.
“Nós já estamos a fazer muitas coisas”, garantiu o presidente da câmara.












