O cineconcerto “Naquele Dia em Lisboa”, com base num filme de Daniel Blaufuks musicado por Matthew Herbert, estreia-se no sábado no Theatro Circo, em Braga, e repete em 30 de setembro na Culturgest, em Lisboa, anunciou a organização.
A convite do Cinex, linha de programação de cinema expandido da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, os dois artistas criaram um projeto em que a música do artista britânico dialoga com as imagens e o tempo da narrativa de Daniel Blaufuks.
O artista português Daniel Blaufuks criou em 2023 a curta-metragem “Naquele Dia em Lisboa”, resgatando películas do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM) gravadas em 1940, quando da chegada a Portugal de milhares de refugiados europeus, maioritariamente judeus, na esperança de escapar à guerra e ao terror nazi que se espalhava pelo continente.
Este ano, a convite do Cinex, Blaufuks criou uma nova e expandida versão do filme para “desacelerar o tempo deste dia incógnito de 1940, convidando a vivê-lo e a sentir o seu ritmo”, assinala um comunicado sobre o cineconcerto que tem a curadoria de Eduardo Brito e João Paulo Macedo.
A partir deste filme, o músico Matthew Herbert inspirou-se para criar uma banda sonora original, musicando ruas e pessoas que anonimamente serviram de guias fantasmagóricos para a liberdade.
“Além do ano e autor — o diretor de fotografia e vencedor de um Óscar, Eugen Schüfftan — pouco mais se sabe sobre estas imagens descartadas, partilhadas agora com o público através desta fotografia expandida no tempo pela mão de Daniel Blaufuks, também descendente de judeus refugiados da Alemanha e da Polónia”, acrescenta ainda.
Ao longo do filme, a narração é de Bruno Ganz (1941-2019), ator em filmes como “As Asas do Desejo” ou “A Queda – Hitler e o Fim do Terceiro Reich”, que conta a passagem de refugiados pela capital portuguesa.
Daniel Blaufuks é natural de Lisboa, tendo-se mudado para a Alemanha em adolescente, lugar de onde regressou em 1983.
Estudou fotografia e começou a sua carreira no jornal Blitz, passando posteriormente pelo jornal O Independente e pela revista Marie Claire, entre outras publicações.
Em 1989, venceu o Prémio Associação de Imagem Portuguesa/KODAK, e em 1996 esteve entre os oito finalistas do European Photography Award. A relação entre o público e o privado, a memória individual e a memória coletiva têm sido temáticas recorrentes no seu trabalho que mistura vários suportes artísticos.
Blaufuks utiliza principalmente a fotografia e o vídeo, materializando-se através de livros, instalações e filmes que apresenta em exposições, algumas delas apresentadas em instituições como o Centro Arte Moderna Centro Cultural de Belém (Lisboa), Palazzo delle Papesse (Siena), Elga Wimmer Gallery (Nova Iorque), Feiras ARCO e Photoespaña (Madrid).
Matthew Herbert é um compositor, artista, produtor e escritor britânico com mais de três dezenas de álbuns editados, incluindo o celebrado “Bodily Functions”, a banda sonora do vencedor do Óscar para Melhor Filme Estrangeiro em 2018 – intitulado “A Fantastic Woman” -, bem como música para teatro, musicais, séries televisivas e videojogos.
Remisturou trabalhos de vários artistas icónicos como Quincy Jones, Ennio Morricone ou Serge Gainsbourg, e é colaborador de longa data da cantautora islandesa Björk.












