O presidente da Câmara de Amares, Emanuel Magalhães, garantiu esta quinta-feira que a autarquia “não desistiu” e que vai procurar “soluções alternativas” para poder criar um centro interpretativo dedicado a António Variações, na terra onde nasceu, em Fiscal, depois de a obra lançada pela Junta de Freguesia ter sido interrompida.
No período de antes da ordem do dia da reunião de executivo desta quinta-feira, o vereador do Renascer Amares, Álvaro Silva, pediu esclarecimentos sobre o facto de a obra na antiga escola primária ter parado, o que levou a que a Junta de Freguesia tenha sido obrigada a devolver o financiamento comunitário que tinha sido aprovado.
Álvaro Silva disse que o projeto foi “anunciado com grande entusiasmo e apresentado como um verdadeiro marco histórico para o concelho”, mas que a realidade atual é “profundamente diferente das promessas feitas”, criticando o “silêncio institucional ensurdecedor” quanto ao desenrolar deste processo.
Em causa, conforme “O Amarense” noticiou na edição impressa de janeiro, está o facto de a empresa que ganhou o concurso para a realização da obra ter aberto insolvência e não ter finalizado os trabalhos, que não ficaram concluídos no prazo previsto, o que levou a que a verba financiada tivesse de ser devolvida.
O vereador do Renascer Amares salientou que a Câmara Municipal aprovou um subsídio de mais de 27 mil euros para a obra, que era da responsabilidade da Junta de Freguesia, mas que teria “importância a nível concelhio, regional e até nacional”. “A freguesia não tem departamento jurídico, quando surgiu o problema com o empreiteiro não deveria ter sido o município a intervir?”, questionou.
Para Álvaro Silva, este é um processo “politicamente inaceitável” e um “símbolo de desleixo”. “O empreiteiro fica com o dinheiro, vai à sua vida e o museu morre?”, questionou.
“PROJETO MUITO IMPORTANTE”
Na resposta, o presidente da Câmara, Emanuel Magalhães (PSD), disse que não aceita que “se ponha em causa a responsabilidade” do atual executivo nesta matéria, uma vez que a “anulação formal do projeto” foi feita em 2025, ainda no anterior mandato.
“O dono da obra não sou eu, não foi o município que pediu essa anulação. Desde que fui confrontado com esta situação, atuei com responsabilidade, reuni com todas as entidades e esforcei-me, mas já nada havia a fazer”, referiu.
Emanuel Magalhães garantiu que este é um “projeto muito importante” para Amares e reiterou que estará “do lado da solução”, procurando outras vias para possibilitar a sua execução, em articulação com a Junta de Freguesia.
O assunto mereceu também comentários dos vereadores Pedro Costa (PS) e Rui Tomada (Amar e Servir Amares). Para o eleito socialista, este é um “projeto que nunca deveria ter estado nas costas da Junta de Freguesia”, mas sido assumido pelo município, tendo em conta a sua relevância. “Devemos aprender lições, porque de facto correu mal”, lamentou Pedro Costa.
Para Rui Tomada, esta é uma “situação muito preocupante” e que deve levar o município a “apurar responsabilidades”. “Uma coisa é não termos competência para realizar determinados procedimentos, outra é permitir que haja prejuízos públicos”, sublinhou o vereador do Amar e Servir Amares, defendendo a necessidade de o processo ser devidamente esclarecido.












