A Casa do Conhecimento de Ponte da Barca acolheu, na passada segunda-feira, a sessão “Territórios de Fronteira, Lugares de Encontro”, uma iniciativa dedicada à reflexão sobre o papel dos territórios raianos enquanto espaços de cooperação, proximidade e desenvolvimento partilhado.
A sessão contou com a intervenção da arquiteta Patrícia Reis, natural de Ponte da Barca, que defendeu uma nova abordagem às fronteiras, entendidas não como linhas de separação, mas como realidades dinâmicas e permeáveis.
Partindo do contexto da raia seca do Noroeste Peninsular, a oradora destacou o papel destes territórios na promoção de relações de vizinhança, solidariedade e interdependência, sublinhando o seu contributo para modelos territoriais mais colaborativos.
Durante a apresentação, foram analisados vários casos de estudo, como Couto Misto, Tourém, os chamados Povos Promíscuos e a aldeia partilhada de Rio de Onor / Rihonor de Castilla. Estes exemplos ilustram como a fronteira é atravessada por dinâmicas sociais, económicas e culturais que desafiam a lógica tradicional de divisão.
A sessão incluiu ainda a apresentação do projeto “O Extremo (já não) mora aqui”, desenvolvido por Bruna Kühn, Hugo Costa, Marta Ferreira e Patrícia Reis. A proposta, selecionada para a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, centra-se na Barragem do Lindoso e na aldeia submersa de Aceredo.
O projeto explora cenários associados às alterações climáticas e à relação entre água, território e memória coletiva, evocando a reemergência temporária de Aceredo em 2022, durante um período de seca extrema, como exemplo das transformações ambientais em curso.
A iniciativa assinalou igualmente o Dia Mundial da Água, reforçando a importância da gestão sustentável dos recursos hídricos e o seu impacto nos territórios de fronteira.
O encontro reuniu participantes interessados nas temáticas do ordenamento do território, arquitetura e sustentabilidade, promovendo o debate e a partilha de conhecimento sobre desafios contemporâneos e perspetivas futuras para as regiões raianas.















