Cientistas alertam. Temporada de furacões e tempestades no Atlântico vai ser “excepcionalmente activa” este ano

A woman walks on the beach as a storm approaches in Nassau, Bahamas, on September 12, 2019. - The National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) reported a weather disturbance (95L) over the southeast and central Bahamas on September 12, 2019, which is growing better organized and is likely to form into a tropical depression or tropical storm by September 14. NOAA said the system is moving toward the northwest. If this trend continues Potential Tropical Cyclone advisories will likely be initiated later Thursday. This disturbance will bring heavy rainfall and gusty winds across portions of the Bahamas through Friday. (Photo by Andrew CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

A temporada de furacões no Atlântico de 2024 começa a 1 de Junho e os vai ser uma temporada excepcionalmente activa, avisam os meteorologistas. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo prevê 21 tempestades nomeadas.

Se a previsão inicial do Centro Nacional de Furacões, divulgada no passado dia 23, estiver correcta, o Atlântico Norte poderá ver entre 17 e 25 tempestades nomeadas, oito a 13 furacões e quatro a sete grandes furacões até ao final de Novembro. Esse é o maior número de tempestades nomeadas em qualquer previsão de pré-temporada da NOAA.

De acordo com a publicação ‘The Conversation’, as restantes previsões para a temporada foram igualmente intensas: as do Colorado State University, divulgadas em Abril, previam uma média de 23 tempestades nomeadas, 11 furacões e cinco grandes furacões.

Já o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo prevê 21 tempestades nomeadas.

Essas perspectivas colocam a temporada de 2024 em sintonia com 2020, quando se formaram no Atlântico tantos ciclones tropicais que esgotaram a lista usual de nomes de tempestades: um recorde de 30 tempestades nomeadas, 13 furacões e seis grandes furacões formados, somando 245 tempestades acumuladas.

Então, o que contribui para uma temporada de furacões no Atlântico altamente axtiva?

De acordo com Jhordanne Jones, investigadora em Clima e Extremos Meteorológicos da Purdue University (Estados Unidos) e cientista climática que trabalhou em perspectivas sazonais de furacões, as alterações climáticas afectam a nossa capacidade de prever furacões.

Os meteorologistas e climatologistas procuram duas pistas principais ao avaliar os riscos das próximas temporadas de furacões no Atlântico: um Oceano Atlântico tropical quente e um Oceano Pacífico tropical fresco e oriental.

ATLÂNTICO QUENTE

Durante o Verão, o Oceano Atlântico aquece, resultando em condições geralmente favoráveis ​​para a formação de furacões. A água quente da superfície do oceano – cerca de 26 graus Celsius – fornece energia térmica crescente, ou calor latente, que é libertado através da evaporação. Esse calor latente desencadeia um movimento ascendente, ajudando a formar aglomerados de nuvens de tempestade e a circulação rotativa que pode unir essas tempestades para formar faixas de chuva em torno de um vórtice.

O calor dos oceanos em 2024 é um grande motivo pelo qual os meteorologistas alertam para uma temporada movimentada de furacões.

A temperatura da superfície do mar do Atlântico Norte tem quebrado recordes de calor durante a maior parte do ano passado, por isso as temperaturas já começam altas e espera-se que permaneçam altas durante o Verão.

Um padrão de temperatura de longo prazo conhecido como Oscilação Multidecadal do Atlântico (AMO) também entra em jogo. A superfície do oceano Atlântico no Verão pode ser mais quente ou mais fria do que o normal durante várias temporadas consecutivas, às vezes mesmo a durar décadas.

As fases quentes do AMO significam mais energia para os furacões, enquanto as fases frias ajudam a suprimir a actividade dos furacões, aumentando a força dos ventos alísios e o cisalhamento vertical do vento.

Acontece que Oceano Atlântico está numa fase quente AMO desde 1995, o que coincidiu com uma era de temporadas de furacões no Atlântico altamente activas.

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Com Executive Digest

Foto National Geographic