Mais de 60 crianças e jovens perderam a vida por afogamento em Portugal entre 2020 e 2024, um balanço que levou a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) a lançar uma nova campanha de sensibilização para prevenir este tipo de acidentes.
Segundo os dados divulgados pelas duas entidades, 63 crianças e jovens morreram por afogamento nos últimos cinco anos, enquanto outras 57 necessitaram de internamento hospitalar. No mesmo período, o 112 encaminhou para o INEM 588 ocorrências relacionadas com afogamentos e acidentes de mergulho.
Embora a análise de longo prazo revele uma redução significativa da mortalidade por afogamento nas últimas duas décadas, a GNR e a APSI alertam para uma inversão da tendência nos últimos anos.
“Apesar da redução expressiva de mortes e internamentos nas últimas duas décadas, os dados mais recentes revelam um aumento preocupante da mortalidade nos últimos anos”, referem as duas entidades.
Entre 2020 e 2022, registou-se uma média anual de 15 mortes, mais do dobro da média verificada entre 2017 e 2019. Apesar da descida para 10 óbitos em 2023 e oito em 2024, os valores continuam acima do mínimo histórico alcançado antes da pandemia.
Os dados preliminares de 2025 apontam já para 33 casos de afogamento, fatais e não fatais, noticiados na comunicação social, dos quais resultaram 12 mortes.
A faixa etária dos 15 aos 19 anos concentra o maior número de vítimas mortais, com 28 óbitos entre 2020 e 2024. Já entre as crianças dos zero aos quatro anos registaram-se 20 mortes e 21 internamentos, sendo as piscinas particulares o local onde ocorre a maioria dos acidentes.
Segundo a análise da APSI, os afogamentos continuam a atingir sobretudo rapazes e concentram-se nos meses de verão. Verifica-se ainda um aumento dos acidentes em rios, ribeiras, lagoas e praias, especialmente entre crianças mais velhas e adolescentes.
Perante este cenário, a GNR e a APSI apelam à adoção de medidas de prevenção, lembrando que o afogamento pode acontecer em poucos segundos e em reduzida profundidade de água.
“O afogamento é rápido, silencioso e pode acontecer em muito poucos centímetros de água”, alertam, defendendo a supervisão permanente das crianças, a instalação de barreiras de proteção nas piscinas, a vigilância por nadadores-salvadores nas zonas balneares e a existência de equipamentos de socorro junto de planos de água não vigiados.




