Companhia de teatro de Barcelos nomeada para prémio de melhor espetáculo internacional em Espanha

A peça “Cambedo 1946”, do Teatro de Balugas, está nomeada para melhor espetáculo internacional nos Prémios Escenamateur Juan Mayorga das Artes Cénicas, em Espanha. O espetáculo retrata os acontecimentos de 1946 na aldeia raiana de Cambedo, em Chaves, marcada por um cerco militar e pela repressão das ditaduras ibéricas.

Em comunicado, o Teatro de Balugas refere que a produção portuguesa disputa o galardão com um espetáculo das Filipinas, naquela que é a sua quarta nomeação para aquele prémio.

O prémio distingue o melhor espetáculo de teatro amador apresentado fora de Espanha, estando a cerimónia de entrega agendada para 20 de junho, na cidade de Getxo.

Com texto e encenação de Cândido Sobreiro, “Cambedo 1946” retrata a aldeia raiana de Cambedo, em Chaves, que, em 1946, foi cercada por forças repressivas de ambas as ditaduras ibéricas e bombardeada com morteiros.

“O resultado foi gente morta, ferida e presa. Sobre o assunto caiu um ignominioso silêncio, o que se passou foi obscurecido e deturpado pelos fascismos ibéricos durante décadas”, refere a companhia de Barcelos.

O trabalho é um espetáculo narrativo, utilizando a linguagem do corpo, sonoridades e elementos visuais como extensão dessa narrativa, para contar a história de uma fronteira que não impediu a solidariedade de dois povos, mas também não conteve um ataque militar concertado por Portugal e Espanha.

O Teatro de Balugas nasceu na freguesia de Balugães, Barcelos, e inspira-se na cultura popular do Minho e do noroeste peninsular.

“É teatro feito na aldeia, acreditando que este trabalho comunitário manterá viva a identidade desta, enquanto espaço de criação, numa luta contra o desaparecimento do mundo rural, da festa feita nas terras pelas gentes que contavam apaixonadamente as suas crenças, tradições e costumes, de uma certa ideia de progresso que não serve homens nem comunidades”, lê-se na página da companhia.

Diz ainda assumir-se como “uma história de resiliência e continuidade, onde a cultura popular de gerações resiste nas mãos de um punhado de artistas anónimos que pisam o palco de balugas ou borzeguins (botas altas com atacadores), de onde deriva o topónimo da aldeia de Balugães”.

Fundada em 2007, a companhia conta com mais de 25 criações teatrais levadas a palco, com textos originais.

O Teatro de Balugas organiza anualmente o Festival de Teatro Amador do Noroeste Peninsular e é responsável pelo Clube UNESCO para a Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias.

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