OPINIÃO -
Competição e cooperação

Por Bárbara Soares

O ato de competir é inerente à natureza humana. Procuramos dentro da competição superar o próximo e, ao superar o próximo, vencemos uma competição, aumentando a nossa confiança e a nossa autoestima. O ato de competir é também uma herança cultural. Desde pequenos somos comparados e convivemos com uma expetativa social.

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Nos primeiros anos de vida, do balbuciar somos pressionados a falar. Aos 6 anos, temos que já entrar para o mundo intelectual e deixar o mundo da fantasia, do brincar, seguindo metodologias de educação de raiz prussiana. Somos pressionados a desenvolvermo-nos por meio da comparação, tudo relativo a alguém. Só ao pensar nisso eu já começo a cantar: “Hey! Teacher! Leave them kids alone!”

Como resposta à vontade de querer ganhar  gera-se  consequentemente a busca da competição. Estamos tão focados em sermos melhores que esquecemos que podemos ser únicos e sem comparações. Querer ter um carro melhor do que o do outro, as sapatilhas melhores, uma bolsa melhor, uma pele melhor, um cabelo melhor.

Penso que os leitores podem estar a perguntar: “- mas Bárbara, querer ser melhor do que eu sou, não é uma coisa boa?”  Sim, mas penso que o verdadeiro mindset que devemos buscar desenvolver não é competir contra os outros, mas sim superarmo-nos a nós mesmos. Então qual a solução? Se não é a competição, o que nos motiva ao sucesso? Para  Alfie Kohn é a cooperação.

No livro de Alfie Kohn chamado The case against competition, o autor relata algumas formas de competições presentes na sociedade: A competição intergrupal e a intragupal.  A cooperação (se queres ir rápido vai só mas se queres ir longe vai acompanhado) supera o trabalho individual, pois acaba unindo as pessoas, fazendo com que elas criem laços. Um grupo pessoas, com habilidades diferentes que tem um objetivo em comum.

Como na  Irmandade do Anel, onde a junção dos atributos individuais de cada personagem permitiu salvar a Terra Média.  Deveriamos ser estimulados desde crianças não a competir, mas sim a colaborar. Não deveriamos ser estimulados a sermos iguais mas sim a termos a liberdade para sermos mesmo diferentes.

Não existe um só ser humano que seja exatamente igual, disso eu tenho certeza e vários teóricos renomados também. É na diferença que alcançamos a completude.  Como em um jogo de puzzle, o que aconteceria se todas as peças fossem iguais?

Tenho certeza que somos capazes de evoluir dessa nossa herança cultural tão destrutiva e a boa notícia é que o primeiro passo para atingirmos a mudança é estarmos conscientes disso.