O programa Março com Sabores do Mar continua a animar a freguesia de Apúlia, no concelho de Esposende, com um dia inteiramente dedicado às algas marinhas e ao seu valor cultural, científico, artístico e gastronómico. As iniciativas decorrem no Museu do Sargaço entre os dias 14 e 31 de março.
Durante este período estará patente ao público a exposição “Projeto Sargassum”, da artista visual Eunice Pais. A mostra reúne fotografia e instalações artísticas que exploram a relação entre o corpo humano e a natureza, combinando elementos documentais e ficcionais para refletir sobre as ligações ecológicas e a evolução da relação entre o ser humano e o meio natural.
No dia 14 de março, entre as 10h00 e as 12h00, realiza-se o encontro científico “Sargassum: Ciência, Arte e Gastronomia”, que reúne especialistas de diferentes áreas para abordar o potencial do sargaço. Participam neste encontro a artista Eunice Pais, a investigadora Marta Duarte, o biólogo Leonel Pereira e a musicista e etnomusicóloga Elina Stolde.
Marta Duarte, bióloga e doutoranda em Engenharia Biomédica, desenvolve investigação na área da regeneração de tecidos e na aplicação de polissacarídeos marinhos na cicatrização de feridas. Já Leonel Pereira, professor associado da Universidade de Coimbra, é especialista em biodiversidade e biotecnologia marinha, coordenando a algoteca daquela instituição e investigando compostos bioativos derivados de algas.
Durante a tarde, o programa inclui a visita cultural “Paisagens do Sargaço”, entre as 14h00 e as 16h00, com início no Museu do Sargaço, permitindo explorar a relação histórica entre o sargaço, o mar e a agricultura local.
Entre as 16h00 e as 17h30, Elina Stolde dinamiza ainda o workshop “Algas Comestíveis”, integrado no projeto Gata da Mata Wildfood. A atividade inclui uma introdução ao mundo das algas, uma visita guiada à praia para recolha de espécies em Apúlia e uma degustação final de petiscos preparados com este recurso natural.
As atividades são gratuitas, mas sujeitas a inscrição prévia e a vagas limitadas.
O Museu do Sargaço assume-se como um espaço dedicado à investigação, conservação e divulgação do património natural e cultural ligado ao sargaço, promovendo iniciativas educativas e científicas que envolvem a comunidade na reflexão sobre a relação entre natureza e sociedade.
As algas marinhas, que crescem entre o mar e a terra, representam um recurso versátil e sustentável utilizado pela humanidade desde tempos antigos. Em Portugal, foram tradicionalmente usadas como fertilizante agrícola nas zonas costeiras, enquanto em países como Japão, China e Coreia do Sul continuam a ser valorizadas na gastronomia. Atualmente, destacam-se também pelo seu potencial em áreas como biotecnologia, bioplásticos, fertilizantes e biocombustíveis.













