Esposende e Barcelos discutem reforço e futuro dos Cuidados Continuados Integrados

O futuro da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) esteve em debate esta manhã em Barcelos, numa conferência que reuniu responsáveis políticos, especialistas e juristas para analisar os desafios atuais da articulação entre saúde e apoio social.

O encontro, subordinado ao tema “Entre a Clínica e o Social – Desafios Atuais da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados”, teve lugar no Auditório S. Bento Menni, no Instituto S. João de Deus, e foi organizado pela Equipa de Gestão de Altas da Unidade Local de Saúde de Barcelos/Esposende.

A iniciativa juntou intervenientes do setor da saúde, da segurança social e da administração pública, num debate centrado na integração de cuidados, na resposta ao envelhecimento demográfico e na sustentabilidade do sistema.

Pressão demográfica e necessidade de respostas integradas

Ao longo da sessão, os participantes sublinharam a necessidade de reforçar a articulação entre o setor da saúde e o setor social, de forma a garantir respostas mais eficazes e centradas no utente.

O debate abordou também os constrangimentos estruturais e operacionais da RNCCI, bem como os desafios de financiamento, organização e recursos humanos, num contexto de aumento da esperança média de vida e maior prevalência de doenças crónicas.

Entre os intervenientes estiveram responsáveis da área da saúde e da segurança social, bem como especialistas em administração hospitalar e direito, que analisaram questões como a distinção entre necessidades clínicas e sociais e as implicações legais dos processos de maior acompanhado.

Autarcas destacam dimensão humana dos cuidados

Na sessão de encerramento, o vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, Aurélio Neiva, destacou a importância do tema e enalteceu o trabalho dos profissionais do setor.

O autarca sublinhou que cuidar “obriga a olhar para as pessoas para além da doença e das estatísticas”, defendendo que o aumento da longevidade exige mais respostas e maior proximidade.

Num momento simbólico da sessão, Aurélio Neiva apelou a uma homenagem aos profissionais de saúde, assistentes sociais e cuidadores, destacando o caráter muitas vezes silencioso do seu trabalho.

“São vocês que garantem conforto quando existe fragilidade”, afirmou.

“Investimento civilizacional” nos cuidados continuados

O autarca defendeu ainda que o reforço dos cuidados continuados deve ser encarado como uma prioridade estratégica.

“Investir nos cuidados continuados não é um custo. É um investimento civilizacional”, afirmou, sublinhando que se trata de uma escolha política e social sobre a forma como a sociedade cuida dos seus cidadãos mais vulneráveis.

O encontro reforçou o compromisso das entidades envolvidas em promover soluções integradas e sustentáveis para a RNCCI, num contexto de crescente pressão sobre os sistemas de saúde e apoio social, marcado pelo envelhecimento da população e pelo aumento das necessidades de acompanhamento continuado.

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