Estudo da UMinho aponta leveduras do Douro como chave para vinhos mais autênticos

Uma investigação da Universidade do Minho conclui que leveduras naturais presentes nas vinhas da Região Demarcada do Douro podem contribuir para a produção de vinhos mais complexos, distintos e representativos do território, reforçando a identidade regional e reduzindo a dependência de leveduras comerciais.

O estudo, desenvolvido pelo Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho e publicado na revista científica Food Bioscience, indica que o uso de leveduras autóctones pode contrariar a tendência de uniformização dos perfis aromáticos associada ao recurso generalizado a estirpes comerciais na indústria vitivinícola.

Atualmente, muitos produtores recorrem a leveduras comerciais para garantir fermentações mais previsíveis e consistentes, o que, segundo os investigadores, tem contribuído para a perda de tipicidade dos vinhos em diferentes regiões do mundo.

No âmbito do projeto GrapeMicrobiota, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a equipa analisou 14 estirpes de leveduras isoladas de uvas das castas Touriga Nacional e Sousão, pertencentes às espécies Saccharomyces cerevisiae, Torulaspora delbrueckii, Lachancea thermotolerans e Metschnikowia pulcherrima.

A investigação avaliou o comportamento das leveduras em contexto de fermentação, incluindo a sua resistência ao stresse, desempenho fermentativo e capacidade de produção de compostos aromáticos com impacto direto nas características sensoriais do vinho.

Citado pela Universidade do Minho, o investigador Richard Breia sublinha que “ao selecionar leveduras da própria vinha, conseguimos reduzir o risco de fermentações indesejadas e garantir um perfil aromático consistente, criando vinhos com identidade própria e fortemente ligados ao território”.

Os resultados mostram que as leveduras autóctones podem desempenhar funções complementares durante a fermentação, contribuindo para maior complexidade aromática. Algumas estirpes destacam-se pela robustez em condições de elevado teor alcoólico, enquanto outras influenciam parâmetros como acidez, teor de etanol e glicerol.

Para a investigadora Viviana Martins, uma das vantagens destas leveduras reside na sua especificidade geográfica. “A vantagem das leveduras nativas é que são exclusivas da região e originam perfis aromáticos próprios, impossíveis de replicar noutras geografias”, afirma, acrescentando que esta singularidade permite produzir vinhos com características sensoriais distintivas.

A equipa de investigação está agora a desenvolver novos estudos com fermentações mistas e sequenciais, combinando diferentes espécies de leveduras para potenciar a diversidade e qualidade dos vinhos do Douro.

O projeto envolve investigadores da Universidade do Minho, da ADVID – CoLAB Vines & Wines, da Sogevinus Quintas S.A. e da Universidade de Saragoça.