Um estudo desenvolvido no âmbito de uma dissertação de mestrado da Universidade do Minho concluiu que algumas mulheres da Idade do Bronze, há cerca de 3.500 anos, ocupavam posições de elevado estatuto social no sul de Portugal, sendo sepultadas com maior quantidade e diversidade de oferendas do que os homens.
A investigação, conduzida pela arqueóloga Marta Borges no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, analisou 57 sepulturas subterrâneas escavadas na rocha, conhecidas como hipogeus, localizadas em sete sítios arqueológicos do concelho de Serpa, no Alentejo.
O trabalho deu origem a um artigo científico publicado na revista internacional Quaternary e mereceu destaque no jornal francês Le Figaro.
Segundo os resultados da investigação, as mulheres eram frequentemente enterradas com vasos de cerâmica, punções metálicos e, em alguns casos, punhais, o que sugere formas diferenciadas de reconhecimento social e coloca em causa a visão tradicional de que o acesso a bens de prestígio era reservado aos homens.
Entre os locais analisados encontram-se os sítios arqueológicos de Montinhos 6, Outeiro Alto 2, Torre Velha 3 e 12, Aldeia do Grilo 1, Horta do Folgão e Alto de Brinches 3, descobertos durante as obras associadas ao regadio da barragem do Alqueva.
Em Torre Velha 3, os punhais encontrados em sepulturas femininas eram produzidos com uma liga de bronze ainda rara no sul da Península Ibérica naquela época, indiciando o acesso a objetos provenientes de redes de troca de longa distância.
O estudo aponta ainda para a possibilidade de o estatuto social poder ser transmitido por via familiar, depois de ter sido identificada a presença de uma arma numa sepultura pertencente a um não adulto. Ainda assim, Marta Borges ressalva que a presença de armas não permite concluir que as mulheres sepultadas fossem guerreiras.
Natural de Santo Tirso, Marta Borges tem 43 anos, é licenciada em Antropologia e mestre em Arqueologia, trabalhando atualmente na empresa Empatia – Arqueologia, Conservação e Restauro, na área da arqueologia de salvaguarda. A investigadora dedica-se sobretudo ao estudo da arqueologia funerária, bioarqueologia e Idade do Bronze peninsular.














