A Europa continua a enfrentar um cenário de fenómenos meteorológicos extremos, marcado por incêndios florestais de grandes dimensões, tempestades violentas e temperaturas muito elevadas, numa situação que mantém vários países em alerta e reforça as preocupações das autoridades quanto aos efeitos das alterações climáticas.
Em Espanha, os bombeiros prosseguem o combate a um incêndio de grande dimensão na região de Aragão, no nordeste do país, onde mais de mil pessoas foram retiradas das suas habitações. Segundo a agência Reuters, cerca de 30 meios aéreos e centenas de operacionais encontram-se mobilizados para controlar as chamas, que já consumiram mais de 12 mil hectares.
O incêndio deflagrou nas proximidades de Orés e alastrou rapidamente durante a noite, levando ao destacamento de cerca de 300 militares da Unidade Militar de Emergências. Os meios aéreos têm operado de forma quase ininterrupta para travar a progressão do fogo.
“As casas foram salvas, assim como as pessoas, mas tudo o resto ardeu”, relatou à Reuters Maria Pilar Arregui, uma das residentes evacuadas e acolhidas num centro temporário em Ejea de los Caballeros.
As autoridades espanholas combatem ainda outros incêndios nas imediações de Madrid e na província de Guadalajara, onde cerca de 1.500 hectares já foram destruídos. Na semana passada, um incêndio na província de Almería provocou pelo menos 13 mortos, a maioria cidadãos estrangeiros.
Novo pico de calor esperado
Apesar de uma ligeira descida das temperaturas nos últimos dias, a Agência Estatal de Meteorologia de Espanha (AEMET) prevê um novo agravamento a partir deste sábado.
Na próxima semana, os termómetros poderão atingir entre 42 e 44 graus Celsius em zonas da Andaluzia e de Castela-La Mancha, devido à chegada de uma massa de ar quente e seco proveniente do Norte de África, aumentando significativamente o risco de novos incêndios.
França e Alemanha também afetadas
Em França, a seca continua a intensificar-se desde o final de maio e duas pessoas morreram na sequência das tempestades que sucederam à recente vaga de calor, vítimas da queda de árvores.
Na Alemanha, uma trovoada do tipo supercélula provocou ventos muito fortes e granizo com pedras de até cinco centímetros na região de Estugarda, obrigando dezenas de automobilistas a procurar abrigo sob viadutos.
Os bombeiros alemães continuam igualmente a combater um incêndio no Parque Nacional de Müritz, cuja extinção é dificultada pela existência de munições por detonar numa antiga zona militar.
Entretanto, o baixo caudal do rio Reno continua a condicionar o transporte fluvial de mercadorias, embora as chuvas dos últimos dias tenham permitido uma ligeira recuperação dos níveis da água.
Produção de energia sob pressão
O calor extremo está também a afetar a produção energética em vários países.
Segundo a Reuters, uma central elétrica a gás no sul de França poderá interromper temporariamente a atividade devido à elevada temperatura das águas do Mediterrâneo, utilizadas para arrefecer as instalações.
Esta situação aumenta a pressão sobre o sistema energético francês, já afetado pela redução da produção de várias centrais nucleares em consequência do aquecimento dos rios.
OMS alerta para impacto na saúde pública
Na Grécia, a região metropolitana de Atenas encontra-se em alerta máximo devido ao risco de incêndios florestais, com as autoridades a recorrerem a drones equipados com câmaras térmicas para vigiar áreas sensíveis.
Perante este cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a alertar para as consequências do calor extremo. O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, revelou que a recente vaga de calor terá provocado quase 10 mil mortes em excesso em vários países europeus e no Reino Unido.
O responsável advertiu que poderão surgir “semanas ainda mais mortíferas” caso novas ondas de calor atravessem o continente, defendendo que os governos passem a encarar o calor extremo como uma verdadeira emergência de saúde pública e não apenas como um fenómeno meteorológico.
A sucessão de incêndios, tempestades e temperaturas excecionalmente elevadas mantém grande parte da Europa sob forte pressão, num verão marcado por fenómenos extremos que voltam a evidenciar os desafios colocados pelas alterações climáticas.












