SAÚDE -
Festa do Avante. Médicos de Saúde Pública alertam para riscos de “super disseminação” da covid-19

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) dá conta de que lotação máxima de 16.563 pessoas em simultâneo na Quinta da Atalaia, ultrapassa em muito as orientações europeias para eventos de massa que tinha, até agora, no topo da lista a França com um máximo de cinco mil pessoas. Em declarações ao Jornal Económico, Ricardo Mexia defende que a DGS devia fixar orientações para eventos de massa de acordo com a sua dimensão, o que não existe.

Mexia partilha da opinião da Direcção-Geral de Saúde (DGS) que admite no seu parecer técnico sobre a Festa do Avante que existe um “risco real” de contágios durante a realização do evento que decorre de 4 a 6 de Setembro no concelho do Seixal, Setúbal.

Ricardo Mexia alerta para efeitos de super disseminação decorrentes deste tipo de eventos e dá conta de que lotação máxima de 16.563 pessoas em simultâneo na Quinta da Atalaia, ultrapassa em muito as orientações europeias para eventos de massa que tinha, até agora, no topo da lista a França com um máximo de cinco mil pessoas.

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“Existe um risco maior neste tipo de eventos de massa como o da Festa do Avante face às orientações europeias que existem para este tipo de eventos que podem condicionar efeitos de super disseminação e que até agora com este tipo de dimensão só a França tem previstos com maior dimensão da ordem das cinco mil pessoas”, alertou ao Jornal Económico o presidente da ANMSP.

Ricardo Mexia defende ainda que a DGS devia fixar orientações para eventos de massa a nível nacional e local de acordo com a sua dimensão, o que não existe, realçando que “somos o país que até agora vai ter um evento desta dimensão” como as mais de 16.500 pessoas que estão previstas estar na Festa do Avante mais do que triplicarem a lotação das cinco mil pessoas no mesmo espaço previstas nas orientações das entidades de saúde de países como a França para eventos de massa.

“Devia haver uma regra ou orientação que determinasse a condições sobre a forma de organização de eventos de massa consoante a sua dimensão tal como as orientações que existem para as diferentes áreas de actividade”, defende Ricardo Mexia.

Este responsável alerta: “já tivemos vários exemplos reais em Portugal como a festa de Lagos, entre outros, que não correram bem”.

Recorde-se que, no final de Junho, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve revelou 111 casos positivos para covid-19 associados ao surto causado por uma festa com cerca de 200 pessoas em Odiáxere, no concelho de Lagos, entre os quais 19 crianças com idade igual ou inferior a nove anos.

O presidente da ANMSP considera que a Festa do Avante que se realiza no próximo fim de semana será “uma baliza, uma espécie de jurisprudência para outras entidades que queriam promover eventos deste tipo.