Governo admite “decisões drásticas” face ao risco extremo de incêndios em plena vaga de calor

O Governo admite avançar com “decisões drásticas” caso se confirme um agravamento do risco de incêndio rural nos próximos dias, numa altura em que Portugal continental se prepara para uma nova vaga de calor com temperaturas que poderão atingir ou ultrapassar os 40ºC em algumas regiões.

O alerta foi deixado esta quinta-feira pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, que sublinhou a necessidade de medidas reforçadas de prevenção perante um cenário meteorológico considerado particularmente adverso.

Numa conferência de imprensa em Carnaxide, após uma reunião extraordinária do Centro Coordenador Operacional Nacional (CCON), o governante referiu que estão previstas condições “terríveis para este momento”, com temperaturas elevadas, humidade muito baixa, vento moderado a forte e possibilidade de trovoadas secas, sobretudo no Norte e no interior do país.

“Se a informação que viermos a ter relativamente a este PIR for grave, tomaremos decisões drásticas, do ponto de vista de um alerta e de uma medida interministerial”, afirmou Luís Neves, referindo que poderá ser acionado um despacho conjunto entre várias áreas do Governo.

O ministro indicou ainda que o Executivo aguarda dados mais detalhados sobre o perigo de incêndio rural (PIR), que deverão ser conhecidos ainda esta quinta-feira ou na sexta-feira, de forma a ajustar o nível de resposta operacional.

Apelo a mudanças de comportamento

Independentemente das decisões que venham a ser tomadas, o Governo reforça o apelo à população para evitar comportamentos de risco, nomeadamente a utilização de maquinaria agrícola, realização de queimas e queimadas e o uso de fogo de artifício em festas populares.

Entre as preocupações está também o lançamento de balões de mecha acesa durante as celebrações do São João, que decorrem na próxima semana.

“O que nós dizemos aos cidadãos e aos autarcas é: por favor, não utilizem estes instrumentos. Estão a pôr em causa a vida das pessoas e o património das pessoas”, sublinhou o ministro.

Mais detenções por incêndios e reforço operacional

Luís Neves revelou ainda que já foram detidas mais de 120 pessoas este ano por crimes relacionados com a origem de incêndios, a maioria por negligência, num aumento face ao ano anterior.

O ministro garantiu que o dispositivo de combate está preparado e assegurou que não faltarão meios financeiros para responder à situação.

No âmbito da prevenção, foram dadas instruções ao Comando Integrado de Prevenção e Operações para manter a vigilância ativa, podendo ser reforçada a sua atuação em caso de agravamento das condições.

Impacto na saúde e grupos vulneráveis

O governante alertou também para os impactos do calor extremo na saúde pública, admitindo um aumento da mortalidade associada às ondas de calor.

“As famílias devem ter especial atenção aos idosos e às pessoas mais vulneráveis”, referiu, acrescentando que estão previstos mecanismos de resposta para acolher cidadãos em situação de risco devido às elevadas temperaturas.

A evolução da situação meteorológica continuará a ser monitorizada diariamente pelas autoridades de proteção civil e saúde, num contexto em que se prevê um verão particularmente exigente em termos operacionais.

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