“Ele sempre foi um fanático por armas, um fascista, mas ninguém imaginava que ele chegaria a esse ponto”. É assim que um dos vizinhos descreve David Dionis, o líder do grupo neonazi e paramilitar The Base e um dos três detidos pela polícia espanhola numa ação de desmantelamento desta célula terrorista decorrida a 1 de dezembro na província de Castellón, parte da região de Valência.
Na reportagem feita pelo jornal El País em Onda, a pequena povoação onde Dionis vive, é referido como “tinha de ser David” — um jovem adulto de 24 anos “nervoso” e que costumava isolar-se a andar de capuz na cabeça — o responsável pela célula local deste grupo terrorista internacional. “Podiam encontrá-lo a beber cerveja no estacionamento do supermercado com outros, mas as pessoas não se aproximavam dele, porque era um rufia”, afirma uma das testemunhas entrevistadas pelo jornal espanhol.
Dionis foi detido em casa da sua avó, onde vivia. Lá, foi encontrado um arsenal de diversas armas — entre elas, facas e duas armas de fogo — e equipamento tático-militar, incluindo armas de airsoft, que seria utilizado em treinos nos arredores de Onda, como entrar num edifício ou carregar armas. A polícia apreendeu ainda acessórios com símbolos nazis e nacionalistas e até uma versão em catalão do livro ‘Mein Kampf’ de Adolf Hitler.
Segundo o El País, o líder neonazi estava a tentar recrutar novos membros online, com a polícia a descrevê-lo como alguém muito capaz de operar na internet sem deixar rasto. Era aí que se focava em jovens vulneráveis, com problemas, ou que tivessem antecedentes de violência e dificuldades para socializar — assim que lançavam o isco, convidava-os a conversar em chats mais restritos ou pessoalmente.
SUPREMACIA BRANCA
As suas ações de doutrinação tinham um espetro local alinhado com os princípios globais do The Base, organização criada em 2018 que defende a supremacia branca e identifica como inimigos os grupos antifascistas, a comunidade LGBT, os muçulmanos, os judeus e os imigrantes, tendo também como alvo forças de segurança ou políticos que considerem terem traído os ideais nacionalistas.
De acordo com o El País, a polícia espanhola, que já se encontrava a investigar o grupo desde o início do ano, foi forçada a agir porque Rinaldo Nazzaro — norte-americano que lidera o The Base a partir da Rússia, onde se exilou — ordenou as células “insurgentes” para que executassem “ataques seletivos”. “Não se podia esperar mais”, afirmou uma das fontes ao jornal.
Dionis, em prisão preventiva, já admitiu quando apresentado a um juiz que estava em contacto com Nazzaro, sendo que a investigação já encontrou indícios de que recebia dinheiro do The Base e que tentava financiar as atividades da célula local através do tráfico de cannabis e cocaína. De resto, Dionis já tinha antecedentes criminais, sendo conhecido junto da polícia local por altercações que tinha protagonizado e também referenciado por ter viajado a Madrid para agredir uma pessoa “simplesmente por vingança”.
O líder neonazi, inclusive, foi gravado no X numa ação de protesto em janeiro de 2023 a insultar e ameaçar pessoas quando a Cruz de Ribalta de Castellón foi retirada por ser considerada um vestígio da exaltação franquista.












