Mais de metade dos portugueses admite não saber exatamente onde se dirigir quando necessita de cuidados de saúde, segundo o Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS), hoje divulgado pela Convenção Nacional da Saúde (CNS).
O inquérito, realizado entre junho e outubro de 2024, mostra que apenas 47% dos inquiridos afirmam saber onde recorrer em caso de necessidade médica, o que, segundo o relatório, “evidencia incertezas quanto aos percursos a adotar dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
Além disso, metade dos participantes (50%) referiu ter dificuldades em obter resposta ao contactar o SNS, apontando barreiras no acesso à informação e ao apoio imediato. Quanto à marcação de consultas, exames ou tratamentos, apenas 39% consideram o processo simples, revelando “entraves administrativos e operacionais significativos”.
O estudo indica ainda que um em cada dois utentes se sente perdido no sistema, refletindo “uma falta de clareza e orientação nos mecanismos de navegação do SNS”. Entre as pessoas com doença crónica, o cenário é ainda mais preocupante: 30% sentem-se desorientadas e 51% relatam dificuldades em obter resposta, valores superiores aos dos participantes sem doença crónica (43%).
Segundo o RADIS, “os dados revelam desafios substanciais no acesso e orientação dos utentes, especialmente entre doentes crónicos”. O relatório alerta que as dificuldades na obtenção de respostas e na marcação de consultas demonstram “barreiras administrativas e uma comunicação pouco eficaz”.
A CNS defende que é necessário investir em estratégias que melhorem a clareza da informação, simplifiquem os processos e reforcem o apoio personalizado, de forma a garantir uma navegação mais eficiente e inclusiva no SNS.
A organização considera ainda fundamental reforçar a literacia em saúde e o papel das associações de doentes na orientação dos utentes.
O inquérito contou com 457 respostas, maioritariamente de mulheres (67%), com mais de 40 anos (83%) e, em grande parte, com doenças crónicas (82%). A maioria dos participantes tem médico de família (86%), seguro de saúde (47%) e acesso a subsistemas como a ADSE ou SAMS (35%).
De acordo com o relatório, apresentado na 8.ª edição da Convenção Nacional da Saúde, o número total de utentes inscritos no SNS aumentou 522 mil entre setembro de 2016 e setembro de 2025, o que representa uma subida de 5,1%, totalizando 10,68 milhões de pessoas.












