Cerca de 30,6% do território continental de Portugal encontra-se classificado como área de risco alto e muito alto de incêndio rural, com maior incidência nas regiões do Norte e do Centro do país, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com a caracterização das áreas de perigosidade de incêndio rural, baseada na Carta de perigosidade estrutural de incêndio rural 2020-2030 do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o risco elevado assume particular expressão no Norte, onde atinge 50,2% do território, e no Centro, com 50,5%. No Algarve, a percentagem é de 30,7%.
O estudo indica ainda que 16,4% do território nacional está classificado com risco alto e 14,2% com risco muito alto, enquanto cerca de 25% apresenta risco muito baixo e 19,7% risco baixo.
Áreas protegidas também sob pressão
O INE alerta para o facto de 47,5% da superfície das áreas protegidas se situar em zonas de risco alto ou muito alto de incêndio rural, evidenciando a vulnerabilidade de ecossistemas sensíveis em território nacional.
Nas zonas classificadas com maior perigosidade residem cerca de 51.115 pessoas, o que corresponde a 0,5% da população residente no continente. Estes territórios apresentam ainda um índice de envelhecimento superior à média nacional, com 210 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 jovens.
População isolada e habitação em risco
Segundo os dados agora divulgados, 69,3% da população isolada vive em áreas de elevada perigosidade, sendo que 38,6% se encontra em zonas de risco muito alto. A distribuição é mais expressiva no Alentejo e no Algarve.
Em termos de edificações, 1,3% dos edifícios e 0,8% dos alojamentos familiares estão localizados em áreas de risco alto ou muito alto, correspondendo maioritariamente a habitação permanente.
Resposta e infraestruturas
O relatório destaca ainda a desigual distribuição de meios de socorro e saúde. Embora existam corporações de bombeiros em todo o território, a sua concentração é maior nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Apenas 1,6% dos corpos de bombeiros e 2,3% dos estabelecimentos hospitalares se situam em zonas de maior perigosidade.
O INE sublinha que esta realidade reflete a combinação de fatores como a ocupação do território, o envelhecimento populacional e a pressão urbanística, que aumentam a vulnerabilidade face ao risco de incêndio rural em Portugal.












