OPINIÃO -
O propósito da sustentabilidade 

Artigo de Manuel Sousa Pereira

 

A sustentabilidade tem como propósito uma compreensão global e abrangente ao nível ambiental, social e económica integrando todas estas componentes, procurando satisfazer as necessidades do presente, preservando e cuidando dos recursos naturais, das pessoas e do desenvolvimento crescente das organizações do futuro, bem como, do nosso futuro comum.

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O desenvolvimento sustentado é um tema transversal, estudado, desenvolvido e implementado por organizações governamentais e não governamentais, empresas públicas e privadas, por movimentos de cidadãos e pela sociedade em geral, mas não é de fácil implementação prática, pois é fundamental uma consciencialização e reconhecimento da preservação ambiental, das espécies, dos recursos naturais e fundamentalmente é uma excelente oportunidade para inovar e acrescentar valor ao mercado. 

Assistimos a uma rápida degradação da natureza, em aspetos como: a poluição do ar, o aquecimento global, a poluição das águas, o plástico e o seu impacto nos oceanos, a agricultura intensiva e a utilização de herbicidas, pesticidas e produtos geneticamente modificados, a utilização inadequada da água potável, resultado da superexploração dos recursos naturais, sem ética nem respeito pelos ecossistemas naturais, pelas pessoas e pelo ambiente, contribuindo para o aumento da pobreza e desigualdades sociais que em nada dignificam a vida em sociedade. 

Estrategicamente, precisamos de mudar o nosso mindset ou “atitude mental” na procura constante e na prática diária de novos métodos, processos e técnicas de produção, utilização de produtos e serviços, alinhados com novas técnicas de distribuição, promoção e venda “amigos” do ambiente. Existem muitos e bons exemplos que o demonstram, como por exemplo: a reciclagem, as hortas biológicas, a limpeza dos rios e espaços públicos, a reutilização dos diversos materiais (vidro, plástico, metais), a produção de produtos biológicos, o turismo de natureza, energias renováveis (sol, vento, chuva, marés e energia geotérmica), produtos de Denominação de Origem Protegida (DOP), produtos endógenos e tradicionais, etc…

No processo de distribuição e venda, deve ter-se sempre presente a preocupação ambiental, implementar práticas mais amigáveis ou “user friendly” colocando sempre o cliente ou utilizador no centro das suas necessidades, desejos e aspirações, procurando conciliar métodos online e offline, tendo em consideração a especificidade do cliente tendo simultaneamente o foco na preservação da natureza.

Neste sentido, a mudança está em cada um de nós.  Enquanto agentes da mudança, é nesta nossa “aldeia global” que temos que adotar comportamentos sustentáveis, consumindo produtos (sempre que possível de origem portuguesa), tradicionais e autênticos, dinamizando as atividades económicas e incentivando a colaboração estrategicamente alinhada com os clientes, colaboradores investidores, investigadores e comunidade em geral.