Opinião. O poder das perguntas na Era da Inteligência Artificial

Opinião de Manuel Sousa Pereira

Os modelos de inteligência artificial respondem a estímulos e nesta medida, a qualidade da resposta depende diretamente da qualidade da pergunta pois, uma pergunta superficial gera uma resposta genérica e uma pergunta bem estruturada pode abrir espaço para profundidade, criatividade e inovação.

A pergunta é um verdadeiro exercício crítico que implica questionar pressupostos, identificar lacunas, confrontar diferentes perspetivas, pensar, ser e agir diferente, procurando o novo, o desigual e aquilo que ainda não foi pensado, sugerido ou implementado.

Questionar é direcionar a criatividade pois, quem domina a arte de perguntar (prompt design) consegue moldar narrativas, imagens, pensamentos e estratégias de forma mais original sendo a pergunta, a chave de acesso à imaginação, e o que impede que aceitemos cegamente o que a Inteligência Artificial produz.

Perguntar é o novo poder crítico, numa altura em que qualquer pessoa pode gerar informação, o verdadeiro fator distintivo está em questionar as informações obtidas, saber se são confiáveis, credíveis e se realmente fazem sentido, pois a inteligência artificial pode responder rápido, mas só o ser humano consegue colocar criatividade, ética e relevância nas questões, pois o poder está em saber o que perguntar, as razões da pergunta e o que fazer com as respostas.

Uma pergunta pode ser também o potenciador do pensamento coletivo na medida em que podemos usá-la como um catalisador do debate, da partilha de ideias, das respostas em grupo, discutindo o que faz sentido, o que faz falta e questionando o que poder ser complementar, secundário ou superficial.

Perguntar bem é, de certa forma, o novo ato criativo e crítico, sendo o verdadeiro fator de diferenciação, através de perguntas inteligentes, que desafiem, provoquem e orientem novas reflexões, novas perspetivas, novas ideias, novas perguntas, novas respostas, para responder a uma nova realidade, de novas tendências, novos desafios, novos problemas para novas realidades.

Neste sentido, relembrando Albert Einstein “Insanidade é fazer sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes.” Sendo uma boa reflexão para pensar o futuro, na medida em que é fundamental colocar novas perguntas, perguntar bem, manter o espírito critico, os valores, a ética, o respeito pelos direitos de autor, as fontes, a origem das ideias, a credibilidade e confiança sempre presentes, num mundo (BANI) frágil, ansioso, não linear e incompreensível, conceito criado por Jamais Cascio.

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