Portugal regista em 2025 o maior número de nascimentos desde 2012

Portugal registou, em 2025, o maior número de nascimentos num único ano desde 2012, com um total de cerca de 89 mil bebés, segundo dados do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN). O número representa um aumento de 4.520 nascimentos face a 2024 e confirma as previsões que vinham sendo avançadas ao longo do ano com base nos dados do “teste do pezinho”.

Entre os distritos com maior número de nascimentos, o distrito de Braga destacou-se como o quarto a nível nacional, com 4.880 bebés, apenas atrás de Lisboa, Porto e Setúbal. Este valor reforça o peso demográfico do Minho no contexto nacional e acompanha a tendência de maior concentração de nascimentos nos distritos do litoral.

De acordo com o IRN, cerca de 28% dos bebés nascidos em 2025 são filhos de mães estrangeiras, um dado que especialistas consideram determinante para explicar o aumento registado. Entre as nacionalidades mais representadas estão as mães brasileiras (9.211 nascimentos), seguidas das angolanas (2.168), cabo-verdianas (1.856), indianas (1.094) e guineenses (1.080).

Os dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), divulgados ainda em outubro de 2025 e relativos aos primeiros nove meses do ano, já apontavam para uma recuperação da natalidade, após a quebra verificada em 2024. Nessa altura, o distrito de Braga surgia já entre os que apresentavam maior número de testes do pezinho realizados, indicador que antecipa o número de nascimentos.

Apesar dos números positivos, os especialistas alertam que este aumento não deve ser interpretado como uma inversão estrutural da tendência demográfica. “Não me parece que, do ponto de vista da natalidade, devamos assistir a grandes alterações”, afirma a demógrafa Ana Fernandes, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sublinhando o peso significativo das mães estrangeiras neste crescimento.

Também Maria Filomena Mendes, investigadora da Universidade de Évora, destaca “o papel extraordinariamente importante” da imigração, acrescentando que o seu impacto poderá ser ainda maior do que os dados revelam, já que não incluem situações em que a mãe é portuguesa e o pai estrangeiro.

Nos distritos do interior, os números continuam a ser mais baixos, com Bragança a registar apenas 420 nascimentos, Portalegre 440, Guarda 489 e Vila Real 765, refletindo as assimetrias demográficas persistentes no país.

Depois da quebra registada durante os anos da pandemia, 2025 surge assim como o ano com mais nascimentos em Portugal nos últimos 13 anos. Ainda assim, os especialistas consideram provável que, nos próximos anos, os valores tendam a estabilizar, dependendo da evolução da imigração e das condições económicas e sociais. “Os portugueses querem ter filhos, mas as decisões dependem muito das circunstâncias de vida”, conclui Maria Filomena Mendes.

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