Saúde. SNS gastou mais de 236 milhões de euros em hemodiálise no ano passado

Em 2024, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) financiou mais de 236 milhões de euros para suportar quase todos os 907 doentes que realizaram tratamentos de hemodiálise, de acordo com dados divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Segundo a ERS, apenas 9% destes utentes receberam tratamento em hospitais públicos, enquanto 91% recorreram a unidades privadas ou sociais. O SNS custeou 98,6% dos tratamentos, num total de 263,1 milhões de euros. Esta área é a que representa maior despesa no setor convencionado, com um aumento de 0,23% face a 2023.

A hemodiálise corresponde a 27,8% do total gasto pelo Estado neste setor, seguida das análises clínicas (25,9%). No final de 2024, existiam 106 unidades privadas ou sociais de hemodiálise, sobretudo nas regiões do Porto e Lisboa. Em contrapartida, na região do Alto Tâmega e Barroso não há unidades privadas, sendo o serviço assegurado pelo setor público.

No total, 12.907 pessoas estavam a fazer hemodiálise no final do ano — 1.167 (9%) em hospitais públicos e 11.738 (91%) em unidades privadas ou sociais, sendo que 98,6% destes tratamentos também foram pagos pelo SNS.

O mercado mantém-se altamente concentrado, com dois grupos a deter 72,5% da quota nacional. A ERS alerta para riscos de monopólio em quatro regiões: Alentejo Litoral, Algarve, Beira Baixa e Terras de Trás-os-Montes. O tempo médio de deslocação dos doentes aumentou para 16 minutos e meio, embora 70% sejam tratados na unidade mais próxima.

Relativamente à qualidade clínica, nove dos 11 indicadores superaram os resultados de 2023, e apenas um ficou aquém das metas definidas pela Direção-Geral da Saúde. Apesar da evolução, a ERS sublinha que persistem problemas no financiamento, no acesso e na concorrência, pelo que continuará a acompanhar de perto o setor da hemodiálise.

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