OPINIÃO -
Se não sabe, o melhor é não falar

Opinião de Marco Alves

 

A história remonta ao final do século XV, no reinado de D. Manuel I, quando foi assinado o compromisso original da Misericórdia em 1498, reconhecida pelo Papa.

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A primeira Misericórdia em Portugal, a de Lisboa, foi fundada pela rainha D. Leonor, viúva de D. João II, que inspirou a criação de outras Misericórdias em Portugal e na diáspora portuguesa. Neste momento, são 387 Misericórdias ativas em Portugal, apoiam diariamente cerca de 165 mil pessoas e, para o efeito, contam com mais de 45 mil colaboradores diretos.

Constituída em 1951, a Santa Casa da Misericórdia de Amares vem ao longo dos seus 67 anos de existência desenvolvendo ações de uma enorme generosidade, altruísmo e entrega aos que mais precisam, dispensando-lhes serviços de qualidade, cimentado no amor, na dedicação e no profissionalismo. Para as respostas sociais oferecem uma Estrutura Residencial para Idosos, Serviço de Apoio Domiciliário, Centro Dia, Centro de Convívio, Creche, Jardim de Infância e Centro de Atividades de Tempos Livres, apoia diariamente nas suas instalações mais de 270 utentes e garante cerca de 75 postos de trabalho. 

Tenho vindo a acompanhar nos últimos anos com bastante atenção e satisfação o trabalho do provedor e de todos os profissionais. Dr. Álvaro Silva, provedor desde 2019, tinha conhecimento das fragilidades sociais, dos inúmeros desafios que toda a estrutura sofria diariamente e com uma reorganização e um rejuvenescimento das equipas acabou por garantir e aumentar em primeiro lugar a qualidade dos serviços prestados a todos os utentes. Garanto essa qualidade como testemunha, pelos cuidados permanentes que prestaram com um familiar. Gostaria que num futuro próximo, a estrutura UCC fosse uma realidade para instituição. A SCMA é uma instituição de solidariedade social de referência e a principal do Concelho de Amares.

Os jogos sociais dão centenas de milhões por ano. Em 2018, os portugueses gastaram 1,594 milhões de euros em raspadinhas, equivalente a 8,5 milhões de euros por dia. É a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa quem gere os jogos, mas nem tudo vai para o apoio social nem para outras Santas Casas das Misericórdias como pressupõem milhares de portugueses. A receita líquida dos jogos é repartida por 3,6% para o Ministério da Administração Interna, 3,88% para a Presidência do Conselho de Ministros, 32,98% para o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, 15,70% para o Ministério da Saúde, 10,29% para o Ministério da Educação, 2,2% para o Ministério da Cultura, 4,85% para os Governos Regionais da Madeira e Açores e 26,52% para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Falta mais apoio para a Santa Casa da Misericórdia de Amares.