OPINIÃO -
Somos meio milhão de fascistas?

Nos últimos seis anos, a legislatura governativa anda ao sabor da esquerda e do PS, bastante refletido em episódios peculiares, controversos e omissos à verdade. Independentemente da crise sanitária, o PS utilizou uma velha estratégia para afastar os seus parceiros habituais e enfraquecer ainda mais as ideologias políticas de direita acetáveis, aproveitando e suscitando o “fascismo”. 

Nas legislativas de 2019, o PS venceu sem recorrer a um acordo à esquerda. Com o aparecimento de novos partidos, a direita ficou mais fragilizada e inicia-se a velha estratégia por parte dos socialistas, dar ênfase à extrema-direita. Coloca os parceiros no ataque cerrado ao inimigo, com intenção de inverter o eleitorado mais comum ao centro-direita. A mesma estratégia, que não é novidade, foi utilizada por Mitterrand em 1988 na França, que tudo fez ao seu alcance para ajudar a crescer a “Frente Nacional” de Jean-Marie Le Pen, para assim retirar votos à direita mais moderada de Chirac e ganhar as eleições. António Costa imita de forma grosseira a estratégia de Mitterrand, para alcançar a aprovação do próximo orçamento e garantir a legislatura até ao final. Embora o nosso Presidente deseja que a legislatura chegue até ao fim, com o apoio da esquerda, e, como se costuma dizer, vamos ver o que acontece neste mandato do Presidente da República.

O Chega procura ir ao encontro do mau agouro das pessoas, da frustração, indignação e irritação que se acumularam, é um partido da ira com modelo oportunista. André Ventura é um predador de irritações, onde avista um indignado ou revoltado, lá está ele: exaltando, gesticulando, ameaçando e gritando, sempre em altos decibéis e emoções, onde o circo assim exige.

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 A propaganda do Chega consolidou-se em diversos impulsos. A escolha de temas fraturantes como o desrespeito pelas forças policiais, a etnia cigana, as questões constitucionais e a corrupção, fez com que Ventura proclama-se a sua indignação num discurso pouco político, onde os órgãos de comunicação manipulados pelo governo deram a estes discursos uma enorme cobertura. Os dirigentes do partido socialista, o primeiro ministro acusa Ventura de cobardia, o presidente da Assembleia da República censura-o pelo uso excessivo da palavra vergonha e a líder parlamentar fica enraivecida pelo fato do mesmo desrespeitar a constituição, dedicando tempo de antena e de debate político de um modo descomunal. O PS dedicou mais tempo a Ventura do que ao próprio PSD, na esperança de ver o CH crescer, roubando votos ao PSD e ao CDS, o que conseguiu. Os jornais enchem-se de artigos de opinião de condenação e até de censura a Ventura, alguns encomendados, outros autênticos. As redes sociais exageraram nas reações, Ventura ganhou destaque, tempo de antena e meio milhão de votos nas presidenciais.

Após a saída de Pedro Passos Coelho, a direita parlamentar portuguesa perdeu o rumo, por duas razões: uma, porque os partidos que ocupam o espaço deixaram de representar preocupações e aspirações do seu eleitorado, nomeadamente a classe baixa e média correspondente a de 57% da população, cavando nele frustração, acrescido às enormes dificuldades económicas e sérios problemas sociais, outra, porque as correntes de opinião que se exprimem dentro dos partidos querem autonomia e voz própria. 

Será necessário a construção de uma alternativa democrática com competência para garantir a confiança do eleitorado e reerguer o país. 

O fascismo convém à extrema-esquerda. Só os cidadãos informados tomam decisões acertadas.

“Deitar vinho novo em odre velho não inverterá o declínio.”