Supermercado vai ficar mais caro: famílias devem preparar-se para novos aumentos a partir de junho, alerta APED

Os preços dos produtos alimentares deverão voltar a subir nos próximos meses, com impacto mais visível já a partir de junho e julho.

O alerta foi deixado por Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, que aponta o aumento dos combustíveis, os efeitos das tempestades e a instabilidade geopolítica no Médio Oriente como os principais fatores de pressão sobre o custo dos bens essenciais.

Em entrevista à Renascença, no programa “Dúvidas Públicas”, o responsável explicou que os preços já refletem vários aumentos acumulados desde o final de 2025, incluindo custos de produção, energia e salários, mas garantiu que o impacto total ainda não chegou às prateleiras.

“Os preços já estão completamente impregnados do aumento dos custos de vários fatores de produção, como os aumentos salariais, mas também já sentimos o impacto da guerra com o Irão”, afirmou Gonçalo Lobo Xavier.

Segundo o diretor-geral da APED, o setor começou a sentir maior pressão nos custos desde outubro, situação agravada pelas tempestades que afetaram cadeias de abastecimento e produção agrícola. A isto juntou-se a subida do petróleo, associada ao agravamento das tensões no Médio Oriente, nomeadamente após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e os receios em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz.

Apesar disso, considera que o efeito da escalada dos combustíveis ainda não se refletiu totalmente no consumidor final.

“Ainda não sentimos verdadeiramente o impacto deste aumento de combustíveis. Em março ainda conseguimos aguentar alguma coisa, mas junho e julho já vão refletir todo este esforço que está a ser feito e todo este impacto”, avisou.

Entre os produtos que poderão sofrer aumentos mais significativos estão os alimentos com cacau, carne, peixe e ovos. No caso dos ovos, Gonçalo Lobo Xavier destacou a sensibilidade social do tema, por serem uma das fontes de proteína mais acessíveis para famílias de menores rendimentos.

APED critica resposta do Governo

Durante a entrevista, o responsável da APED criticou também a resposta do Governo aos prejuízos provocados pelas tempestades e defendeu medidas mais robustas para apoiar a produção nacional e garantir competitividade face ao mercado espanhol.

Gonçalo Lobo Xavier considerou insuficiente o PTRR — pacote de medidas apresentado pelo Executivo liderado por Luís Montenegro — acusando o plano de representar sobretudo uma reformulação de apoios já existentes.

“Parece-nos curto”, afirmou, lamentando igualmente a demora na aplicação prática das medidas anunciadas.

O diretor-geral da APED criticou ainda o facto de o setor da distribuição não ter sido incluído nas medidas de apoio. Segundo explicou, a associação não pede apoios financeiros diretos, mas sim soluções operacionais, como maior capacidade de armazenamento de combustível para garantir o funcionamento de geradores em situações de emergência.

Falta de trabalhadores agrava dificuldades no setor

Outro dos problemas identificados pela associação prende-se com a escassez de mão-de-obra no setor da distribuição. Segundo dados avançados por Gonçalo Lobo Xavier, a percentagem de trabalhadores estrangeiros aumentou de 4,7% para 11% nos últimos cinco anos, refletindo a crescente dependência da imigração para assegurar o funcionamento das empresas.

Apesar disso, rejeitou a ideia de que o setor continue associado exclusivamente a baixos salários, embora tenha admitido dificuldades nas negociações entre parceiros sociais relativamente à reforma laboral, sobretudo em matérias como o banco de horas individual.

Quanto à greve geral marcada para 3 de junho contra alterações à legislação laboral, o responsável não prevê impacto significativo nas superfícies comerciais associadas da APED.

“No nosso setor em particular não adivinho perturbações nas lojas, nem lojas fechadas”, concluiu.

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