Terras de Bouro. Petição contesta obra junto a escadaria de Igreja de Chorense

Uma petição lançada online contesta uma obra realizada junto à escadaria da Igreja de Chorense, em Terras de Bouro, exigindo a reposição do espaço ao seu estado original ou a apresentação pública de um estudo que justifique tal intervenção.

No texto que acompanha a petição, que está disponível online, os subscritores manifestam o seu “profundo desagrado perante a recente decisão de encerrar o acesso tradicionalmente conhecido como “Inferno”, na transição para a escadaria da igreja”.

“Este espaço, longe de representar qualquer perigo, é parte viva da história local. Por ali passaram gerações inteiras, registaram-se momentos importantes como comunhões, casamentos e celebrações religiosas. O “Inferno” faz parte da identidade da nossa terra, da memória coletiva de quem cá nasceu e cresceu”, pode ler-se.

De acordo com os promotores da iniciativa, “decisões que afetam o património e a tradição” da freguesia “não podem ser tomadas sem ouvir a população”. “Lamentamos que esta intervenção tenha sido feita sem consulta pública, sem diálogo com a comunidade e sem qualquer respeito pelas tradições locais. Quem vive na freguesia, quem respeita a sua história, merece ser ouvido”, acrescentam.

Os subscritores exigem “a reposição do espaço ao seu estado original, ou a apresentação pública de um estudo que justifique tal intervenção”, pedindo igualmente que “futuras decisões sobre intervenções no património histórico-cultural sejam sempre precedidas de consulta pública” e salientando a necessidade de haver “transparência na gestão dos espaços públicos que fazem parte da identidade da freguesia”.

“A nossa terra tem história, tem raízes, tem memória. E quem governa, governa para o povo — nunca contra ele”, conclui o texto.

A petição é dirigida à União das Freguesias de Chorense e Monte, à Comissão Fabriqueira da freguesia de Chorense, à Arquidiocese de Braga e à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

MEMÓRIA COLETIVA

Numa nota entretanto enviada ao jornal “O Amarense”, o arquiteto José Carlos Martins, natural de Chorense, que é um dos primeiros subscritores da petição, considera que esta transformação “compromete a integridade histórica de uma freguesia, apagando elementos que foram construídos e vividos por gerações”.

“Com esta intervenção, não se elimina apenas um fragmento físico do lugar — apagam-se símbolos, hábitos e vínculos afetivos que dão sentido à vivência coletiva. Somos nós, arquitetos, que devemos assumir a responsabilidade de defender o património — não apenas em nome da preservação do passado, mas sobretudo em benefício da população presente e das memórias futuras”, refere.

José Carlos Martins defende haver “obrigação” de “questionar decisões que colocam em risco essa herança”. “O património não pode ser tratado como obstáculo ao progresso, mas sim como fundamento de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e enraizado”, assegura. A petição lançada, vinca, pede a “reavaliação desta intervenção”.

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