A Câmara Municipal de Terras de Bouro pretende recuperar várias casas florestais devolutas no Parque Nacional da Peneda-Gerês, criando centros interpretativos, espaços de apoio ao turismo e infraestruturas para a proteção civil. Três projetos considerados prioritários vão avançar com candidaturas ao Portugal 2030, revelou o presidente Manuel Tibo, em declarações ao jornal ‘O Amarense & Caderno de Terras de Bouro‘.
A Câmara Municipal de Terras de Bouro está a preparar a reabilitação de várias casas florestais localizadas no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), atualmente devolutas e em avançado estado de degradação, com o objetivo de lhes dar novas valências ao serviço da comunidade, do turismo sustentável e da conservação da natureza.
Segundo explicou o presidente da autarquia, Manuel Tibo, o plano passa por recuperar estes edifícios sem alterar as fachadas, respeitando o património existente, e adaptá-los a diferentes funções, desde centros interpretativos temáticos a espaços de apoio a caminheiros, peregrinos, associações locais e entidades da proteção civil.
Entre os projetos considerados prioritários estão três casas florestais que irão avançar com candidaturas ao Portugal 2030. Uma delas é a casa florestal da Ermida, em Vilar da Veiga, que deverá transformar-se num Centro Interpretativo da Cabra-Montês, espécie emblemática do concelho e símbolo do brasão municipal. «O projeto da Cabra-Montês é muito importante, porque é um dos maiores símbolos de Terras de Bouro e está intimamente ligado ao seu habitat natural, em pleno Parque Nacional», sublinha Manuel Tibo.
Além da vertente interpretativa e turística, este espaço deverá também servir de apoio aos sapadores florestais, vigilantes da natureza e restantes agentes da proteção civil, criando melhores condições de vigilância, prevenção e conservação da natureza, bem como instalações sanitárias para visitantes.
Outro projeto prioritário é a casa florestal de Leonte, que poderá acolher uma exposição permanente dedicada à água e disponibilizar informação sobre turismo wellness e termal, enquadrada no plano da Reserva Mundial da Biosfera.
Já a casa florestal da Pedra Bela, devido à sua localização privilegiada, deverá ser reconvertida num centro interpretativo da Vezeira, tradição ancestral ligada à pastorícia de montanha.
JUNCEDA, COSTA GRANDE, BEIRAL E PORTELA DO HOMEM
Num segundo momento, e dependendo da disponibilidade financeira, a autarquia pretende avançar com a recuperação de outras casas florestais. A casa da Junceda poderá funcionar como albergue de apoio aos caminheiros do trilho GR50 e ponto de informação sobre o trilho da Silha dos Ursos. A casa da Costa Grande, próxima do Santuário de São Bento da Porta Aberta, está pensada como espaço de acolhimento e repouso para peregrinos dos Caminhos de São Bento. Já a casa do Beiral, em Rio Caldo, poderá servir de sede a coletividades locais, nomeadamente ao motoclube da freguesia, enquanto a casa da Portela do Homem deverá acolher um centro interpretativo dedicado aos 50 anos do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Manuel Tibo destacou que os projetos de arquitetura já estão elaborados e que os protocolos entre a Câmara Municipal e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) se encontram assegurados. «O plano de atividades e orçamento já contempla verbas para estes três primeiros casos. Nos restantes, iremos avançar assim que existam condições financeiras, nomeadamente através do Norte 2030», explica.
O autarca sublinha ainda que esta estratégia permite «recuperar património, criar novas centralidades e dar respostas concretas às necessidades de quem visita o Parque Nacional», reforçando simultaneamente o apoio às forças de proteção civil e à GNR em operações de vigilância, busca e resgate em zonas de montanha.
«Queremos cumprir tudo o que está protocolado. Se a verba não for suficiente, aguardaremos a melhor oportunidade, mas a prioridade está definida: investir onde o impacto para o território e para a comunidade é maior», concluiu Manuel Tibo.
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