OPINIÃO -
Um terreno para consciencialização

Opinião de Marco Alves

 

Os lavadouros comunitários são locais simbólicos. Estes lugares de muita memória que hoje parecem estar tragicamente condenados ao abandono deveriam ser tidos em conta na promoção simbólica das muitas histórias ali ditas e que o silêncio hoje tenta contar.

PUBLICIDADE

Os lavadouros públicos, para além dos fins a que se destinavam, serviam de ponto de encontro das mulheres em momentos de convívio social, enquanto esfregavam lençóis e faziam o curioso exercício, de duplo significado, que era “lavar a roupa suja em público”. Aliás, este exercício ainda hoje é promovido, mas de outras formas.

Recordo-me da minha avó paterna na sua rotina, junto do tanque público do Largo da Fonte de Baixo, em Barcelos. Era pouco de “lavar roupa suja em público” no sentido figurado, mas naquele espaço comunitário lavava a roupa que a sua família sujava, enquanto eu me deliciava a escutar as conversas e observava a roupa a nadar nas águas límpidas que sustentavam o tanque.

Ao fim de 19 meses de pandemia em Portugal, os hábitos e as rotinas de grande maioria da população sofreram um embate e todos tiveram de se adaptar a uma nova realidade. As crianças foram obrigadas a trocar a sala de aula presencial por uma sala de aula virtual e os pais necessitaram de estar presentes, desempenhando o papel de professor.

As visitas à família e amigos foram trocadas por videochamadas, os abraços e os beijos perderam o lugar para as “cotoveladas” e passámos a não sair de casa sem a máscara, o novo acessório que nos cobre parte do rosto e esconde quase por completo as emoções. Grande parte dos portugueses esteve fechada em casa, sem conversar presencialmente com um amigo, sem viajar, sem ver uma peça de teatro, sem ir a um jogo de futebol ou ao cinema. Fomos obrigados a encontrar alternativas para ocupar a mente. Para nos mantermos saudáveis também a esse nível.

As hortas comunitárias são espaços de convívio, de lazer e de aprendizagem que melhoram a qualidade de vida e da alimentação das pessoas. São uma parte ecológica de uma região e, normalmente, estão localizadas em parques ou espaços verdes de lazer. A sua implementação permite a eliminação de terrenos desaproveitados e garante a produção de legumes, vegetais e ervas aromáticas ou medicinais para consumo, venda ou troca na sociedade, promovendo a economia circular. Atualmente, as pessoas estão cada vez mais viradas para a natureza e procuram estar em contacto com a natureza. Com a plantação de uma horta comunitária, pode conhecer-se como é que o lixo produzido pelo homem pode ser decomposto e servir de fertilizante orgânico. As hortas comunitárias são espaços de cultivo que oferecem inúmeros benefícios para uma determinada comunidade, dos mais importantes, destacam-se os seguintes:

-A requalificação e a renovação da paisagem urbana e a contribuição para os projetos de inclusão social.

-A possibilidade de contribuir para a beleza natural e desenvolvimento da biodiversidade da região. 

-A importância de desenvolver uma atividade relaxante que liberte o desgaste mental.

-O cultivo de alimentos sempre frescos e sem esperar muito tempo para serem consumidos.

-A produção de legumes e vegetais para o consumo em famílias de baixos rendimentos.

-A melhoria da qualidade da alimentação, com o consumo de produtos frescos e naturais.

-A redução das despesas com a alimentação.

-Estes espaços são constituídos como locais de formação para jovens e crianças, pois vão fazer com que valorizem a produção regional e desenvolvam uma maior consciência ambiental.

A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as folhas!