Opinião de Manuel Sousa Pereira.
Quando aprender já não é suficiente, torna-se evidente que adquirir conhecimento, por si só, não garante a capacidade, habilidade ou competência necessárias para desenvolver atividades profissionais com relevância e valor acrescentado. Num ambiente cada vez mais disruptivo, dinâmico e em constante transformação, a rapidez da evolução tecnológica faz com que muitas competências se tornem rapidamente obsoletas. As ferramentas digitais e os sistemas automatizados estão, de forma contínua, a redefinir a maneira como trabalhamos.
Assim, aprender deixou de ser um evento pontual para passar a ser um processo permanente de atualização, adaptação e reorganização do conhecimento. Neste contexto, desaprender assume-se como uma competência essencial, pois nem tudo o que sabemos permanece relevante, face aos novos desafios e circunstâncias que caracterizam a realidade atual. Torna-se necessário abandonar métodos, hábitos e formas de pensar e agir que já não produzem resultados adequados. Desaprender implica ter uma atitude proativa e consciente, sendo hoje tão importante quanto aprender.
Por sua vez, reaprender surge como resposta à necessidade de acompanhar a mudança. Trata-se de adquirir novas competências e capacidades ajustadas às exigências do mercado, através de processos de requalificação profissional, como o reskilling, que capacita o trabalhador para as novas funções, e o upskilling, associado ao aperfeiçoamento e atualização de competências. Esta dinâmica promove maior flexibilidade e adaptabilidade, constituindo, simultaneamente, uma vantagem competitiva para o indivíduo e para as organizações.
Numa era em que a inteligência artificial potencia a automatização de processos e tarefas repetitivas, o mercado de trabalho encontra-se em constante transformação. Enquanto as novas profissões emergem, como especialistas em inteligência artificial, analistas de dados, engenheiros de machine learning, gestores de conteúdo digital ou especialistas em cibersegurança, outras tendem a desaparecer, sobretudo aquelas baseadas em tarefas previsíveis e facilmente automatizáveis. Neste cenário, as competências humanas, como a criatividade, o pensamento crítico e a empatia, tornam-se fatores essenciais de diferenciação.
Assim, o maior risco atualmente não reside na falta de informação, na partilha de conhecimento, mas na capacidade de transformar informação em conhecimento e habilidade, pois a vontade de aprender e reaprender continuamente, passou a ser muito relevante na atualidade. A estagnação representa, em si mesma, uma forma de exclusão. Mais do que as funções de cada colaborador, o verdadeiro desafio centra-se no desenvolvimento de competências, técnicas, humanas e emocionais, que permitam aos indivíduos nunca deixar de aprender, desaprender e reaprender perante uma realidade em constante mudança.












