IPO do Porto alerta para quebra de dadores e reforça apelo à dádiva de sangue

O Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO do Porto) está a registar uma diminuição progressiva no número de dadores de sangue, com quebras anuais que podem atingir os 5%, um cenário que preocupa a instituição e levou ao reforço do apelo público à dádiva.

A responsável pelo serviço de Imuno-hemoterapia, Maria Rosales, explicou que esta tendência se tem agravado desde a pandemia, refletindo-se em dificuldades na gestão das reservas, em particular no que respeita às plaquetas, devido ao seu curto prazo de validade. Apesar disso, o IPO do Porto mantém a autossuficiência no que diz respeito aos eritrócitos, recorrendo apenas pontualmente ao apoio do Instituto Português do Sangue e da Transplantação para suprir necessidades específicas.

Ao longo de 2025, a instituição realizou transfusões a 2.427 doentes, num total de 7.294 transfusões de eritrócitos e 4.834 de plaquetas. No mesmo período, foram contabilizadas 8.603 dádivas de sangue, incluindo 1.385 novos dadores, dos quais 690 efetuaram a sua primeira doação.

Os dados evidenciam ainda a importância da renovação geracional, com 949 dadores entre os 18 e os 24 anos, faixa etária considerada estratégica para garantir a sustentabilidade futura das reservas de sangue.

Face a este contexto, o IPO do Porto irá avançar com uma campanha em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, dirigida a pessoas entre os 18 e os 40 anos, com o objetivo de incentivar a dádiva e aumentar o número de dadores ativos.

A instituição sublinha que, apesar de a idade máxima para dar sangue ter sido alargada até aos 70 anos, desde que cumpridos os critérios clínicos adequados, continua a ser essencial captar e fidelizar dadores mais jovens, garantindo assim a continuidade e segurança do sistema de transfusão em Portugal.

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