O Impacto do Apagão: Entre a Crise e a Resiliência

Texto: João Ferreira

Entre muitos temas como a migração, o elétrico da Glória ou as autárquicas, o apagão terá sido um dos temas mais falados em Portugal no ano 2025.

Nesse dia, acabava de sair de uma reunião com um colega e no final da mesma a luz falhou. Durante a deslocação no centro de Braga ouviam-se alguns alarmes, até que um senhor nos abordou e questionou: “estava a falar ao telemóvel e agora não há rede disponível, sabem de alguma coisa?” Desconhecíamos o porquê, mas comentei em ironia: “já viste o que era um apagão numa cidade como Braga?”.

Uns minutos mais tarde, a realidade explodia, numa primeira fase seria um apagão a nível europeu, ciberataques, quedas de aeronaves, algo que não se imaginava.

As primeiras notícias fidedignas apontavam para um apagão em território ibérico, também com afetação direta/indireta em solo francês e que seria solucionado nas próximas oito a 12 horas.

Soavam os alarmes dos loucos, a corrida desenfreada ao papel higiénico e aos postos de combustível. Alguns combates por alguns fogões a gás e a loucura de comprar um gerador.

O silêncio ia-se estabelecendo à medida que as autonomias dos geradores iam terminando, os supermercados, postos de combustíveis e outras mais superfícies iam ficando sem energia. Mais dramático foram alguns serviços públicos que ficaram sem resposta e outros com a real ameaça de acontecer.

Numa realidade próxima, em Braga, a comunicação entre os demais agentes de proteção civil foi garantida pelo Batalhão Sapadores Bombeiros durante toda a crise. Outros municípios também conseguiram estar contactáveis recorrendo às comunicações via satélite, outros nem por isso, a falta de eletricidade silenciou as comunicações.

O ruído do silêncio relembrou a pandemia, mas na pandemia íamos tendo acesso à internet, à televisão, mas desta vez não. As pessoas deslocaram-se para visitar os seus, alguns viram os seus vizinhos na rua, procuravam-se informações pessoalmente, cara a cara.

A ANEPC e outras entidades já aconselhavam e aconselham a ter o kit de emergência em casa um plano familiar. A realidade mais próxima de termos um evento com dimensão (inter)nacional é de facto uma repetição do “Sismo de Lisboa”, em que se prevê que só exista uma resposta consertada/organizada em 72 horas, um valor padrão mundial. Mas há mais riscos e o apagão foi um exemplo, também temos cheias, inundações, movimentos de massa, incêndios rurais que podem forçar ao isolamento à falta de recursos.

Não há necessidade de corridas às prateleiras dos supermercados, não teremos em casa bens que nos garantam autonomia para 72 horas (três dias)? Nós sabemos viver em comunidade e apoiar uns aos outros, só temos que criar hábitos, implementar cultura de autoproteção e de segurança.

Terão as entidades competentes e com sentido de responsabilidade aprendido alguma coisa com este apagão? As freguesias terão tido a preocupação com os mais vulneráveis, os municípios terão criados reforços e melhorias nos seus serviços? Será agora, com o apagão e o ciberataque nos novos riscos tecnológicos, que devemos integrar nos nossos Planos Municipais de Emergência e Proteção Civil? Será que estes serviços avaliaram o acesso à informação pública durante o apagão?

Os planos preveem difusão da informação pública através de vários meios, entre eles as rádios locais, mas as mesmas também se silenciaram, apenas algumas estações nacionais garantiram essa informação.

Disponha em casa de um kit de emergência que deverá conter água e produtos enlatados (conservas), medicamentos habituais e SOS, documentos (cópias), lanterna, rádio, pilhas ou powerbank, dinheiro, algumas ferramentas e material de primeiros socorros.

Prepare-se, proteja-se e informe-se.

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