A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) espera que o Governo avance com um “pacote robusto de medidas” para responder aos desafios que o setor enfrenta, nomeadamente o aumento do preço dos combustíveis e a crescente concorrência de operadores espanhóis no mercado nacional.
A posição foi transmitida após uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, no final da qual a presidente da associação, Ema Leitão, se mostrou satisfeita com o encontro, sublinhando que o governante “está muito consciente do ponto crítico em que o setor se encontra”.
Segundo a responsável, o Governo encontra-se a analisar soluções, admitindo a possibilidade de apoios específicos para o setor. Ema Leitão recordou que a medida recentemente anunciada — um desconto de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros nas semanas em que o gasóleo ultrapasse determinados limites — não resolve integralmente as dificuldades, por corresponder apenas à reposição de condições já anteriormente existentes no gasóleo profissional.
A Antram defende que são necessárias medidas extraordinárias semelhantes às adotadas em 2022, na sequência da guerra na Ucrânia, incluindo apoios ao investimento e redução da carga fiscal.
Em declarações ao Jornal Económico, o porta-voz da associação, André Matias de Almeida, afirmou que o Governo demonstrou compreensão quanto à perda de competitividade das empresas portuguesas face às espanholas, sublinhando que os apoios deverão chegar “o mais rapidamente possível”.
Entre os fatores de pressão, o setor aponta o aumento do preço dos combustíveis, estimado em cerca de 30% devido ao contexto geopolítico, bem como as medidas adotadas em Espanha, onde o Governo reduziu o IVA sobre combustíveis de 21% para 10%, contribuindo para uma descida significativa dos preços e reforçando a competitividade das empresas espanholas.
A associação alerta ainda para o impacto na tesouraria das empresas. Como exemplo, refere-se uma empresa com mil veículos de transporte internacional que consome cerca de 2,5 milhões de litros de gasóleo por mês: com a subida dos preços, o encargo adicional poderá atingir cerca de um milhão de euros em apenas quatro semanas.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou recentemente uma linha de apoio de 600 milhões de euros destinada a empresas com elevados custos energéticos, designada “Portugal Resiliência Energética”, financiada pelo Banco Português de Fomento.
Recorde-se que, em 2022, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia e da consequente escalada dos preços dos combustíveis, o Governo liderado por António Costa implementou um conjunto de medidas extraordinárias de apoio ao setor dos transportes de mercadorias, com o objetivo de mitigar o impacto da subida dos custos energéticos.












