A Póvoa de Lanhoso volta a receber, entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, o Festival Instrumental Portugal, iniciativa que cumpre a sua segunda edição e que pretende afirmar-se como uma referência nacional na promoção da música instrumental e da criação artística contemporânea.
O evento foi apresentado esta quarta-feira e contará com uma programação diversificada, reunindo artistas consagrados e projetos emergentes, num programa que tem como um dos principais destaques a atuação de Rão Kyao, agendada para o dia 1 de agosto.
Durante a apresentação do festival, o presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Frederico Castro, destacou a aposta numa iniciativa cultural diferenciadora, fortemente ligada à identidade histórica e cultural do concelho.
Segundo o autarca, o festival pretende associar-se às comemorações dos 180 anos da Revolta da Maria da Fonte, através de um projeto participativo que envolverá 180 mulheres da comunidade local. Frederico Castro salientou ainda a intenção de ligar a história e o património do concelho a uma proposta cultural inovadora, capaz de reforçar a notoriedade da Póvoa de Lanhoso no panorama cultural nacional.
Já o diretor artístico do festival, Manuel Oliveira, classificou a iniciativa como um projeto pioneiro no contexto português, defendendo que o evento se distingue por ser o único festival nacional inteiramente dedicado à música instrumental.
“O objetivo é promover a criação artística original e incentivar a partilha entre músicos de diferentes áreas”, referiu, acrescentando que a ligação à comunidade constitui um dos pilares fundamentais da iniciativa.
Além de Rão Kyao, o cartaz integra nomes como Maria do Mar, Mariana Martins, José Manuel Neto e o projeto Phole, representando diferentes abordagens à música instrumental contemporânea.
Um dos momentos mais simbólicos da edição deste ano acontecerá no dia 2 de agosto, com a apresentação do projeto “180 Vozes por Maria da Fonte”. A iniciativa reunirá um coro feminino de 180 participantes, numa homenagem aos 180 anos da histórica revolta popular liderada por mulheres da região.
O coordenador do projeto, Eliseu Matos, destacou o forte envolvimento associativo e comunitário da iniciativa, explicando que o objetivo passa por mobilizar as associações culturais do concelho numa performance multidisciplinar que integrará canto coral, percussão, teatro, bandas filarmónicas e folclore.
O festival incluirá ainda jam sessions abertas à participação de músicos e público interessado, promovendo a interação artística e a criação de novas dinâmicas culturais entre os participantes.
Com entrada gratuita, os espetáculos decorrerão em vários espaços emblemáticos da vila, nomeadamente na Praça Engenheiro Armando Rodrigues, no Theatro Club e no Centro Interpretativo Maria da Fonte.
A organização pretende consolidar o crescimento do Festival Instrumental Portugal nos próximos anos, estando já em estudo a criação de um Prémio Nacional de Música Instrumental, cuja implementação poderá avançar em 2027 e ficar associada ao evento realizado na Póvoa de Lanhoso.






















