Câmara de Amares chumba comissão para estudar criação de centro de congressos intermunicipal com Terras de Bouro

A Câmara de Amares rejeitou esta quinta-feira, por maioria, uma proposta apresentada pelos vereadores do PS para a criação de uma comissão que pudesse avaliar a eventual construção de um Centro Intermunicipal de Congressos, Cultura e Eventos em articulação com a Câmara de Terras de Bouro.

A proposta foi rejeitada com os votos contra dos três eleitos do PSD (Emanuel Magalhães, João Januário Barros e Cidália Abreu), tendo tido apenas o voto favorável dos dois subscritores, Pedro Costa e Delfim Rodrigues, eleitos pelos socialistas. Os independentes Álvaro Silva (Renascer Amares) e Rui Tomada (Amar e Servir Amares) abstiveram-se.

Na discussão do ponto, o presidente da Câmara, Emanuel Magalhães, lembrou que o atual executivo herdou um projeto para a construção de um multiusos no campo do CD Amares, cuja obra foi travada por falta de financiamento, mas que continua na agenda da autarquia.

“Há projeto, com localização definida e não atiramos a toalha ao chão. Estamos à procura de financiamento”, afirmou o autarca, dizendo que, caso exista viabilidade e fundos disponíveis, o município avançará com o multiusos em Amares.

Emanuel Magalhães disse também ter falado de forma informal sobre a proposta dos vereadores do PS com o presidente da Câmara de Terras de Bouro, Manuel Tibo, que se mostrou desfavorável.

Os dois vereadores independentes, Álvaro Silva (Renascer Amares) e Rui Tomada (Amar e Servir Amares) optaram pela abstenção, por entenderem que se trata de um equipamento importante para o concelho, mas que não está no topo das prioridades imediatas.

“PROPOSTA DE TRABALHO”

Já depois de a proposta ter sido recusada, o vereador do PS Pedro Costa disse que não se tratava da definição de um investimento, mas sim de uma “proposta de trabalho”. “Percebemos que esta proposta já estava chumbada nos bastidores, o PSD chumbou-a por ser  do PS”, afirmou.

Para o eleito socialista, “o território do Vale do Homem tem sido claramente marginalizado” pelo poder central, o que exige uma “visão mais ampla” para promover a articulação entre os municípios.

“Em vez de darmos as mãos, andamos nesta gincana política, com uma visão de quintal, uma visão pequenina”, acentuou Pedro Costa, para quem é necessário “encontrar soluções de futuro” para o crescimento dos territórios.

O vereador do PS enfatizou que a proposta em causa visava criar um grupo de trabalho, cuja constituição seria definida num momento posterior, que pudesse “avaliar a viabilidade de avançar com esta infraestrutura”. “Não prejudicava investimentos já feitos, nem implicava custos avultados”, salientou.

“INFRAESTRUTURA ESTRATÉGICA”

Em maio, conforme “O Amarense” então noticiou, os vereadores eleitos pelo PS nas Câmaras Municipais de Amares e de Terras de Bouro divulgaram uma proposta conjunta para a criação de um Centro Intermunicipal de Congressos, Cultura e Eventos, que apresentaram como “infraestrutura estratégica para o desenvolvimento do território”.

Sobre a proposta, o documento subscrito pelos amarenses Pedro Costa e Delfim Rodrigues e pelo terrabourense Diogo Carrasqueiras Pereira dizia que a iniciativa pretendia “lançar as bases para a criação de um equipamento moderno, multifuncional e de escala regional e distrital, preparado para acolher eventos desportivos, congressos, seminários, espetáculos culturais e musicais, feiras, exposições, encontros empresariais e iniciativas de promoção turística”.

A proposta previa a constituição de um grupo de trabalho intermunicipal, a realização de estudos de viabilidade técnica e financeira, a identificação da localização mais estratégica para o equipamento, a avaliação de mecanismos de financiamento e a definição de um modelo de gestão partilhada e sustentável.

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