FAPAS volta a opor-se à Volta a Portugal no Gerês e apela ao Governo para travar percurso na Mata da Albergaria

A FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade voltou, esta terça-feira, a manifestar a sua oposição à passagem da Volta a Portugal em Bicicleta de 2026 pela Mata de Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), apelando ao Governo para que indefira o pedido e proponha um percurso alternativo.

Em comunicado, a associação considera que, embora as grandes provas de ciclismo contribuam para a promoção turística dos territórios que atravessam, essa valorização depende da preservação das paisagens naturais que lhes servem de cenário.

A FAPAS sustenta que a principal preocupação não reside no impacto imediato da passagem dos ciclistas, mas no precedente que poderá ser criado para a realização de outros eventos em áreas sujeitas a um regime de proteção reforçada.

Segundo a associação, a Mata de Albergaria constitui “o mais importante e mais bem conservado núcleo de floresta autóctone de Portugal”, integrando habitats e espécies de elevado valor ecológico, além de beneficiar de diversos estatutos de proteção nacionais e internacionais, como a Rede Natura 2000, a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés e a classificação como Reserva Biogenética do Conselho da Europa.

A FAPAS alerta ainda para os potenciais efeitos da presença humana, do ruído e do sobrevoo de helicópteros ou drones associados à prova, defendendo que estes fatores podem perturbar espécies sensíveis, nomeadamente aves em período de nidificação.

No comunicado, a associação critica também as declarações do presidente da Câmara de Terras de Bouro, Manuel Tibo, que comparou a realização da prova com a circulação diária de automóveis na estrada da Mata de Albergaria.

Para a FAPAS, “uma coisa é a passagem de viaturas ocasionais, outra a realização de um grande evento”, considerando que a autorização abriria caminho à realização de iniciativas semelhantes numa das zonas mais sensíveis do Parque Nacional.

A associação rejeita igualmente o argumento de que outras grandes competições internacionais atravessam áreas protegidas, sublinhando que a questão em causa é a passagem por zonas com estatuto de conservação reforçado.

A terminar, a FAPAS apela à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para que rejeite a passagem da Volta a Portugal pela Mata de Albergaria e seja encontrado um percurso alternativo para a 7.ª etapa da edição de 2026, compatibilizando a realização da prova com a proteção dos valores naturais do Parque Nacional da Peneda-Gerês.