Uma chamada aparentemente banal para o 112 acabou por revelar uma alegada tentativa de abuso sexual sobre uma menor e conduziu à intervenção rápida da Polícia de Segurança Pública (PSP), que intercetou o suspeito e evitou a continuação da situação.
O caso ocorreu na madrugada de 2 de maio, quando uma criança ligou para o número de emergência enquanto se encontrava na presença do alegado agressor, um conhecido da mãe. Sem poder pedir ajuda de forma direta, a menor recorreu a um código improvisado para alertar discretamente as autoridades.
Segundo foi avançado pelo Correio da Manhã, após atender a chamada, o agente da PSP identificou-se, sem obter resposta imediata. Cerca de 14 segundos depois, ouviu-se a voz da criança: “Olá, tio”.
O operador respondeu que não era seu tio, ao que a menor retorquiu: “Sim, eu sei, tio. Estou a ir para casa agora e estou com a minha mãe no carro”.
A partir desse momento, o polícia percebeu que poderia estar perante uma situação de perigo e adaptou a conversa, mantendo um diálogo discreto que permitisse recolher informações sem alertar o suspeito.
Conversa durou mais de 14 minutos
Durante mais de 14 minutos, a criança e o agente mantiveram uma comunicação codificada. A menor conseguiu transmitir que seguia num automóvel com o alegado abusador, a mãe — que estaria a dormir — e um irmão bebé.
Segundo a denúncia, o condutor estaria a aproveitar a situação para adotar comportamentos abusivos em relação à criança.
Ao longo da chamada, o agente conseguiu recolher elementos relevantes sobre o veículo e o destino para onde se dirigiam, permitindo às autoridades localizar rapidamente o automóvel.
Suspeito intercetado pelas autoridades
Com as informações recolhidas, foram mobilizados meios policiais para o local indicado. O suspeito acabaria por ser intercetado e identificado pelas autoridades.
Posteriormente, a mãe da menor formalizou uma queixa por tentativa de abuso sexual sobre a filha.
O caso encontra-se agora sob investigação do Ministério Público, que irá apurar as circunstâncias dos factos e determinar eventuais responsabilidades criminais.
Agente distinguido pela PSP
A atuação do agente que atendeu a chamada mereceu reconhecimento da Direção Nacional da PSP, que lhe atribuiu um louvor pela capacidade de interpretar os sinais transmitidos pela menor e pela eficácia demonstrada na gestão da ocorrência.
A intervenção permitiu não apenas identificar o suspeito, mas também garantir a proteção imediata da criança, num caso que evidencia a importância da formação e da atenção dos operadores dos serviços de emergência perante situações de risco oculto.












