A omnicanalidade envolve a coordenação de diferentes canais como: lojas físicas, websites, plataformas online, aplicativos móveis, redes sociais, etc. para proporcionar uma experiência consistente e contínua ao cliente, aspetos fundamentais para proporcionar ao cliente, flexibilidade de escolha e continuidade, numa interação personalizada, numa loja física ou digital, de acordo com a sua comodidade, facilidade e conforto emocional.
Opinião
OPINIÃO
O impacto da inteligência artificial para o marketing
Por Manuel Sousa Pereira
A inteligência artificial (IA) carateriza-se por ser um desenvolvimento de máquinas, que através de sistemas e algoritmos, realizam tarefas, capazes de pensar, aprender e apoiar na tomada de decisões semelhantes às que são tomadas por seres humanos.
Sendo uma área da ciência da computação que utiliza técnicas como: machine leraning (máquinas aprendentes) processamento de linguagem natural (NLP) visão computacional, redes artificiais a algoritmos de otimização, sistemas virtuais, veículos autónomos, previsão de tendências de mercado, jogos, reconhecimento faciais, de voz, entre outros, com o objetivo de reconhecer padrões, identificar tendências e resolver problemas, com impacto significativo para a economia e para a sociedade.
Algumas vantagens da Inteligência Artificial (IA) para o marketing são:
Personalização através de algoritmos, analisando o comportamento do consumidor, oferecendo conteúdo, ideias ou serviços à medida de cada cliente.
Análise de uma grande quantidade de informação, identificando padrões que de forma manual, seria extremamente difícil ou impossível, sendo instrumentos relevantes para tomar decisões mais precisas e adequadas.
Automação das tarefas de marketing, como a conexão e patilha de informação, dados, conteúdos digitais, segmentação do público-alvo, contribuindo para uma economia de tempo e recursos.
Utilização de Chatbots e assistentes virtuais: na sua importância e eficiência na interação com clientes em tempo real, respondendo a perguntas, apoiando o cliente e contribuindo para a sua fidelização.
Prever tendências de mercado, permitindo um alinhamento continuado entre os desejos do consumidor e uma eficiente gestão de stocks produção de produtos e serviços.
Marketing de conteúdo e publicidade direcionada, procurando criar artigos, relatórios, vídeos, otimizar campanhas de publicidade, identificando meios mais eficientes para ser relevante para os seus públicos.
Experiência do cliente e análise de sentimentos, melhorando a jornada do cliente e o seu sentimento, relativamente à forma, experiência e relação emocional com a marca.
Como desafios atuais e futuros da (IA) temos: as questões de ética na utilização dos dados pessoais dos consumidores e clientes, colocando em causa a sua privacidade e o não cumprimento do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), bem como: uma abordagem estratégica responsável para o ambiente, para a sustentabilidade, através de políticas claras e transparentes para com os cidadãos, organizações e sociedade em geral.
OPINIÃO
Cusquices
Por Marco Alves
Será este o nome da minha rubrica a partir deste mês. Não é aquela que corre nos cafés, cabeleireiros ou barbeiros, mercados ou quiosques, esses não desapareceram, simplesmente migraram para os ecrãs dos telemóveis. Em bom português, podem tirar o cavalinho da chuva, que os artigos não servirão para rebaixar, difamar ou injuriar alguém.
Atualmente, as novas tecnologias não devem ser negadas ou recusadas, são ferramentas imprescindíveis do nosso quotidiano. Sou apologista na prática destas ferramentas para melhoria da qualidade de vida, principalmente na área da saúde. Existem também outras áreas de elevada importância onde essas ferramentas podem ser utilizadas. Sem margem para dúvida, a IA (inteligência artificial) terá um papel fundamental no desenvolvimento humano enquanto sociedade, partindo do princípio que a algoritmia introduzida para programação prevalecerá com sentido de responsabilidade e valores de ética.
A minha curiosidade de perguntar ao ChatGPT (sistema de IA que responde, via mensagem escrita, às mais variadas perguntas), sobre Amares deixou-me boquiaberto:
“O concelho de Amares está localizado no norte de Portugal, na região do Minho. Tem uma rica herança histórica, pela bela paisagem natural e pela arquitetura barroca. A região é caraterizada por paisagens naturais deslumbrantes, com áreas verdes, rios e montanhas. O PNPG, um dos mais belos parques de Portugal, fica nas proximidades. Amares oferece uma gastronomia rica e tradicional do Minho. No turismo rural, Amares é uma excelente escolha para quem procura atividades ao ar lvre, como caminhadas, ciclismo e passeios de cavalo”.
Amares podes estar a enfrentar desafios económicos que limitam o crescimento. Tal como a falta de investimentos, a diminuição da população, problemas nas infraestruturas, falta de investimento tecnológico ou a administração local e as políticas adotadas influenciarem o fraco crescimento. Para promover um futuro positivo, devem ser consideradas várias ações.
Destaco algumas: Promover o crescimento económico sustentável e preservar o meio ambiente. Desenvolver o turismo, aproveitando os recursos naturais e culturais da região, implementando práticas de turismo responsável. Investir na educação e formação para capacitar a população e atrair talentos, promovendo o crescimento e inovação. Melhorar as infraestruturas. Apoiar o empreendedorismo local para diversificar a economia e criar empregos. Proteger o património cultural e histórico de Amares. Envolver ativamente a comunidade nas decisões do município e promover a cidadania ativa. Aproveitar as tecnologias para melhorar a qualidade de vida.
O futuro está nas nossas mãos e serão fundamentais para Amares.
OPINIÃO
Aline e Bernard
Por João Ferreira
Podia ser uma dupla de artistas, mas foram as duas tempestades mais recentes que assolaram o norte de Portugal continental. O que nos trouxeram? O expectável: chuva – muita chuva – e vento. O que aprendemos com tempestades anteriores? Pouco, ou muito pouco.
Entre avisos meteorológicos do IPMA e alertas lançados pela ANEPC, sendo que podem ser declaradas pelo presidente de câmara estados de alerta municipal, dependendo do âmbito territorial, as ocorrências significativas ainda ocorrem e em elevado número. Por exemplo, olhamos para um concelho vizinho e vemos o Rio Lima, como é habitual, subir até ao limite das suas margens deixando submersos carros. Quem tem culpa? O município que não interditou o parque? Os proprietários que não deram valor aos avisos? A população que sabe que acontece frequentemente e mesmo assim não se evitou?
Ao seu redor, o que viu, o que fez? Tomou medidas preventivas, avisou as autoridades competentes sobre os riscos existentes, colaborou na resposta?
É esporádico que os SMS com os avisos venham excessivos, ou excecionalmente venham tarde, mas vamos dar-lhes valor e atenção. “Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier” (provérbio).
Em situação de alerta, calamidade ou contingência, todos os cidadãos são também chamados a colaborar. Por isso dizemos que “Todos somos Proteção Civil”. E se todos somos Proteção Civil, vamos todos prevenir, vamos todos mitigar, vamos todos responder. Vamos trabalhar a nossa rua, a nossa urbanização, a nossa freguesia, o nosso concelho. Vamos dar resposta em comunidade, ajudar o vizinho, solucionar problemas simples encontrados na rua. Vamos tornar-nos resilientes.
Como testemunho de António Barreto, “(…) instala-se o caos urbano às primeiras chuvas, espalha-se pelas ruas a areia, pedra e brita, desfazem-se os montinhos de entulho à beira das obras inacabadas (…) desabam as casas velhas, mal conservadas e cedem as modernas construídas à pressa. Os bairros antigos estão podres. Os modernos rodeados de lamaçal (…) Toda a gente pergunta de quem é a culpa? Das bombas atómicas, dos frigoríficos, do buraco do ozono, do efeito de estufa, das construções, das barragens, dos automóveis, da urbanização selvagem, da modernização, da agricultura intensa, dos planos autárquicos ou dos governos? Quem sou eu para responder? Só sei uma coisa: não é sobretudo do clima”.
Já agora, aproveito para deixar mais uma diferença de conceitos. Frequentemente ocorre confusão conceptual entre clima e tempo, duas grandezas que se distinguem, designadamente pelo espaço temporal de referência. Numa simplificação de abordagem poderá dizer-se que o estado de tempo refere-se ao conjunto das condições meteorológicas num dado local, designadamente a temperatura e a humidade do ar, a precipitação, a nebulosidade, o vento e à sua evolução no a dia a dia.
Por seu lado, o clima poderá traduzir-se pelo conjunto de todos os estados que a atmosfera pode ter num determinado local, durante um tempo longo, mas definido. Este intervalo de tempo durante o qual podemos dizer que existe um determinado tipo de clima é escolhido como “suficientemente longo”, em geral 30 anos (IPMA).
OPINIÃO
O suicídio
Por Hélder Araújo Neto
Psicólogo Clínico
O suicídio é um assunto que muitos evitam discutir. É um tema desconfortável, repleto de estigma e mal-entendidos, mas é uma realidade que não deve ser ignorada. É necessário dialogar, informar e procurar soluções para prevenir esta tragédia que afeta milhões de vidas em todo o mundo.
A Organização Mundial da Saúde estima que, anualmente, cerca de 800.000 pessoas se suicidam. Para cada uma dessas mortes, há muitos outros que tentaram e, tantos outros, incontáveis, que sofrem em silêncio. O suicídio não discrimina, afetando pessoas de todas as idades, géneros, origens étnicas e classes sociais.
A maioria das pessoas que considera cometer suicídio enfrenta, de certeza, uma luta interna dolorosa. Mas não são só os problemas de saúde mental que contribuem para este ato desesperado, devendo reconhecer-se que fatores externos, como, por exemplo, o isolamento social, o “bullying”, a violência, a perda de entes queridos e a falta de apoio, desempenham um papel significativo.
O estigma em torno do suicídio é um obstáculo significativo na prevenção. A vergonha ou o medo, muitas vezes, impedem as pessoas de procurar ajuda. É essencial que a sociedade como um todo entenda que o suicídio não é um ato de fraqueza, mas sim um sinal de sofrimento profundo e de desespero. Começar uma conversa aberta e compreensiva sobre o suicídio é o primeiro passo, crucial, para a prevenção.
Devemos encorajar amigos, familiares e colegas a compartilhar os seus sentimentos e a procurar ajuda quando for necessário. A prevenção começa com a consciência e a compaixão. A prevenção do suicídio não é responsabilidade apenas dos profissionais de saúde mental. Todos nós desempenhamos um papel vital na construção de uma sociedade mais compreensiva e solidária. Criar um ambiente de apoio e compreensão pode fazer uma grande diferença.
A título de curiosidade, deixo aqui duas notas: a primeira refere que os sobreviventes do suicídio, aqueles que tinham a certeza de que o método era infalível, ainda que tenham sobrevivido, relataram que se arrependeram imediatamente ao cometer o ato, como é o caso do norte-americano Kevin Hines, que se atirou da ponte Golden Gate, em São Francisco, tendo sobrevivido.
A segunda nota refere que, por norma, os suicidas atiram-se descalços, sublinhando, por exemplo, o corpo de bombeiros de São Paulo, no Brasil, que quando recebem uma chamada para evitar que alguém se atire de um local elevado, a primeira pergunta que colocam é se a pessoa está descalça. Se estiver, os bombeiros sabem que é quase certo que a pessoa saltará, que não chegarão a tempo de salvá-la.
Para concluir, quero dizer que, felizmente, há recursos disponíveis para ajudar aqueles que estão a lidar com pensamentos suicidas. Linhas de apoio emocional e prevenção do suicídio e organizações de apoio, como as que aqui deixo:
SOS Voz Amiga
(entre as 16 e as 24h00) Tel.: 21 354 45 45 Tel.: 91 280 26 69 Tel.: 96 352 46 60
Conversa Amiga
(das 15h e às 22) Tel.: 808 237 327 Tel.: 210 027 159
SOS Estudante
(das 20h à 01h) Tel.: 239 48 40 20
Linha LUA
(das 21h à 01h) Tel.: 800 208 448
Telefone da Esperança
(das 20h às 23h) Tel.: 22 208 07 07
Telefone da Amizade
(das 20h às 23h) Tel.: 22 208 07 07
Voz de Apoio
(das 21h às 24h) Tel.: 22 550 60 70
SOS Adolescente
Tel.: 800 237 327
OPINIÃO
Discordo, logo ofendo!
Por Marco Alves
“Penso, logo existo”, porém, a tradução mais literal seria “penso, logo sou”. O pensamento de Descartes surgiu da dúvida absoluta. O filósofo francês queria chegar ao conhecimento absoluto e, para tal, era preciso duvidar de tudo o que já estava posto. A única coisa que ele não podia duvidar era da própria dúvida e, consequentemente, do seu pensamento. Assim surgiu a máxima do “penso, logo existo”. Se eu duvido de tudo, o meu pensamento existe e, se ele existe, eu também existo.
Nos anos 1970 aconteceram muitas coisas, mas a política acabou por se sobrepor a tudo e é natural, porque tivemos uma ditadura de 40 anos. No início da década de 1980 havia 18,6% de analfabetos, um défice orçamental de 800 M€, uma taxa de desemprego a trepar aos poucos e uma inflação que atingiu os 22,4% em 1983, quando chegou um novo resgaste do FMI. A década começou mal, mas foi uma rampa ascendente, sobretudo quando Portugal se viu finalmente na CEE, em 1986.
Começaram a entrar os fundos e o dinheiro tornou-se um valor muito forte, o que é um contraste absoluto com os anos 1970, que era ideologia. Com o dinheiro e estabilidade chega uma nova ordem: o consumo. Nos loucos anos 1980, espalharam-se e erguerem-se obras megalómanas, por diversos municípios do território nacional. Muitas das obras foram essenciais e fundamentais para o desenvolvimento, sendo grande parte para infraestruturas. Outras obras eram simplesmente de ordem estética.
Quase 40 anos depois desse “boom”, foram poucos os concelhos no interior que continuaram a brilhar para a continuidade no desenvolvimento do território. Não faço o uso da expressão de Descartes, utilizo sim outra expressão alterada: “Se discordo, ofendo.” Olhando para dentro do nosso concelho de Amares, podemos conferir que o município estagnou no tempo há uns bons anos. Os edifícios municipais estão degradados, as empesas municipais com gestão deficiente, o ambiente urbanístico completamente descolorido, resumindo-se numa cor: cinzento. Não me venham dizer que Amares está a evoluir, porque não está. No entanto, não estou a ofender ninguém, mas os fundos continuam a entrar no país, só que agora de forma estruturada.
Amares das planícies e dos montes,
Rainha entre dois rios coroada,
Quem te trocou por outros horizontes
A ti torno sem já querer mais nada.
Solares há em ti e velhas pontes,
A bela vendedeira ao pé da estrada,
O rústico empedrado junto às fontes,
As frescas da Abadia ou na Tapada.
Tens vinhas e pomares, microclima,
Num jeito de jardim com Deus por cima
Tecendo sobre ti a Sua franja.
Tens gomos que são lábios de menina
Antando duplamente a casca fina
Pois, sendo terra verde, és da laranja.
OPINIÃO
A relevância da humanização do marketing
Por Manuel Sousa Pereira
O conceito e a implementação das estratégias de marketing têm evoluído ao longo dos tempos procurando adaptar-se às mudanças da sociedade, na tecnologia e no comportamento do consumidor. Podemos enumerar algumas das principais etapas do marketing:
Como primeira fase, caracterizado pelo marketing tradicional (até 1950 do século passado) voltado para a produção em massa e comunicação unidirecional, onde as empresas concentravam-se em produzir e implementar estratégias de promover e divulgar produtos nos meios tradicionais como a televisão e anúncios impressos.
A segunda fase pode-se caracterizar como a era da informação (décadas de 1950 a 1990) com a disseminação da informação as empresas começaram a segmentar os mercados através de estudos de mercado, análises ao comportamento do consumidor, análises de dados de clientes para melhor compreender as suas necessidades. Simultaneamente, assiste-se a uma “desmassificação” da informação com revistas especializadas nos diversos segmentos de clientes, interesses, desejos e motivações.
Na terceira fase caracterizada pelo marketing de relacionamento e marketing digital (década de 1990 para a frente) com a evolução da internet e com a exigência dos consumidores, o relacionamento e a comunicação bidirecional passou a assumir muita importância para fidelização dos clientes. Estratégias como SEO (otimização de mecanismos de busca), marketing de conteúdo, redes sociais e publicidade online, passaram a fazer parte fundamental nas estratégias de marketing digital.
Numa quarta fase verificamos a fase do marketing de conteúdo (década de 2010 em diante) em que a criação de conteúdo (blogs, vídeos, podcasts, redes sociais) para atrair e envolver os consumidores assume importância, na medida em que é através do conteúdo que se consegue captar a atenção, despertar o interesse, levar ao desejo e à aquisição dos produtos ou serviços.
Na quinta fase podemos caracterizar por Marketing de Inteligência Artificial (década de 2020 para a frente) permitindo o uso da tecnologia ao serviço das estratégias de marketing, com a automação de processos, personalização, análise de grande quantidade de dados, chatbots para atendimento aos clientes, etc…
Na sexta fase e na atualidade vive-se a relevância da sustentabilidade, da humanização da constante preocupação sobre as questões sociais, ambientais, ecológicas, a implementação de práticas éticas, responsáveis e humanizadas. Nesta fase, a abordagem do marketing centra-se, cada vez mais, na criação de conexões autênticas, genuínas e verdadeiras com os clientes, numa relação humana, tratando-os como ser únicos e valorizando as emoções, experiências, valores e expectativas, procurando estabelecer relações duradouras e alinhadas com os seus reais interesses e motivações, que simultaneamente, devem estar sempre em consonância com a sustentabilidade e o futuro da humanidade.
OPINIÃO
O Luto
Por Hélder Araújo Neto
(Psicólogo)
A experiência do luto faz parte da condição humana. Todos nós, em algum momento das nossas vidas, deparámo-nos com a perda de alguém ou algo que valorizamos profundamente. O luto é uma jornada emocional complexa, que envolve uma série de estágios e desafios, mas também pode ser um processo de crescimento pessoal e de transformação. Neste artigo, exploraremos o luto, nas suas várias dimensões, discutindo as suas fases, o seu impacto na saúde mental, e as estratégias para enfrentá-lo.
O luto é uma resposta natural à perda. Pode manifestar-se de várias formas, desde a tristeza intensa até sentimentos de raiva, culpa, confusão e, até mesmo, alívio. A experiência do luto é idiossincrática, altamente individual, variando de pessoa para pessoa, e não há um “caminho certo” para vivenciá-lo.
É comummente aceite que existem cinco estágios principais do luto: negação, raiva, desespero/negociação, depressão e aceitação. Embora esses estágios sejam frequentemente citados, é importante notar que o luto não é um processo linear. As pessoas podem experimentar essas fases em diferentes ordens e voltar a estágios anteriores antes de seguir em frente.
Negação: no início, muitas pessoas têm dificuldade em acreditar que a perda ocorreu. Pode ser difícil aceitar a realidade da situação.
Raiva: à medida que a realidade se impõe, a raiva é uma reação comum. As pessoas questionam-se, frequentemente, porque é que isso aconteceu, ou sentem raiva da injustiça da perda.
Desespero/negociação: algumas pessoas fazem promessas ou tentam negociar com uma força superior, num esforço para recuperar o que foi perdido. Predispõem-se a fazer tudo o que for preciso para que tudo volte a ser como antes.
Depressão: à medida que a negação, a raiva e o desespero diminuem, a tristeza profunda pode instalar-se. É neste momento que a pessoa começa a enfrentar a realidade da perda.
Aceitação: finalmente, a pessoa começa a aceitar a perda e a encontrar formas de seguir em frente com a vida, embora a dor possa persistir. Reorganiza o que foi desleixado, reorganiza o eventual caos.
Assim, o luto pode ter um impacto significativo na saúde mental. Muitas vezes, as pessoas experimentam sintomas de depressão, ansiedade e até mesmo transtorno de “stress” pós-traumático (PSPT). É importante procurar apoio e ajuda profissional quando o luto se torna patológico, avassalador, e interfere na capacidade de funcionar no dia a dia.
Embora o luto seja um processo doloroso, muitas pessoas relatam que também pode ser uma oportunidade de crescimento pessoal. Passar por uma experiência de perda pode levar a uma maior apreciação da vida, ao aumento da resiliência emocional e a uma perspetiva mais profunda sobre o significado da existência. Algumas pessoas envolvem-se em atividades, como grupos de apoio ou em expressões criativas, para ajudar na recuperação e no crescimento. O mais importante é lembrar que o luto é uma parte normal da vida e que, com o tempo e o apoio adequado, é possível encontrar o caminho para a aceitação e a cura.
OPINIÃO
Salvamentos no Parque Nacional da Peneda-Gerês
Por João Ferreira
Seria arriscado afirmar que no período do verão há um salvamento/resgate no PNPG? Com um ligeiro decréscimo no inverno, mas de facto tem sido uma notícia constante, seja no distrito de Braga ou nos distritos vizinhos, como Viana do Castelo ou Vila Real, distribuído pelos cinco concelhos abrangidos.
Criado em 1971, o PNPG possui uma área de cerca de 70 mil hectares e é o único parque nacional. Considerado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera, “estende-se dos planaltos da Mourela ao de Castro Laboreiro incluindo as serras da Peneda, Soajo, Amarela e Gerês. Trata-se duma região montanhosa, essencialmente granítica em cujas zonas de elevada altitude são visíveis os efeitos da última glaciação. Vales profundos e encaixados suportam uma densa rede hidrográfica que possibilita uma grande variedade de formas de vida e de vivências” (natural.pt).
Com uma beleza natural, patrimonial, cultural e ambiental inimaginável, recebe mais de 100 mil visitantes por ano, segundo a ADERE.
Este mês, escolhi este tema por ser atual e sujeito à discussão. A opinião pública divide-se aquando das notícias dos resgates/salvamentos no parque. Quem deve pagar as despesas do socorro, os meios e tempo despendido?
Temos pequenos incidentes e ocorrências que envolvem diversos agentes de proteção civil, de vários concelhos, diversos meios materiais, por vezes meios como helicóptero.
Deverão estas pessoas suportar as despesas, deverá ser um serviço público sem implicações ao socorrido?
A minha opinião é que temos de analisar isto de vários fatores. Vejamos, é um direito ser socorrido atendendo às suas necessidades.
Se tiver um acidente de carro, o seguro cobre as despesas, claro que por vezes nem todas. Se estiver envolvido num acidente, mesmo sem seguro, é socorrido, transportado e tratado no hospital, por vezes sem custos. Se estendermos isto para um evento que à mesma escala precise de mais meios, apenas muda a variável da resposta ao socorro. Ou seja, aqui podemos dizer que um resgate no Gerês é como ter um acidente dito “normal”. Concordo!
Por outro lado, temos aqui a variável “conhecimento”. Se a vítima agir de forma negligente terá de ser responsabilizada pelos seus atos. Podemos considerar o agir sem conhecimento de causa pôr em causa a sua integridade física, assim como de terceiros ou dos próprios operacionais. Aqui a vítima deveria ser acusada e ser sujeita a “pagar à sociedade” pelos seus atos. Concordo!
Dois exemplos. Tenho experiência em orientação, caminhadas, possuo formação relacionada com atividades ao ar livre e sou conhecedor de primeiros socorros. Sofro um acidente no percurso. Acidente “normal”. Agora, gosto da montanha, mas nunca explorei, não tenho preparação nem experiência, pego naquele calçado do dia a dia e lá vou eu. Perdi-me e caí, porque o nevoeiro e a escuridão nas serras surgem de repente, eu não sabia. Acidente “normal” ou negligência?
Podemos mudar o paradigma, existindo formação para as várias atividades possíveis na montanha, participar às entidades competentes qual percurso, tempo de saída e chegada como já se deve fazer nas ZPT (Zona de Proteção Total). Até porque se as autoridades não souberem que existe pessoas numa determinada área, estas até podem ficar isoladas com um incêndio, por exemplo. Deviam ser sujeitos à obrigatoriedade de possuir seguro para as atividades.
Depois levanta-se outra questão: melhorar os acessos a estes locais de risco? Melhora a segurança, de facto, mas também o aumento de pessoas e, infelizmente, sabemos que isto também se traduz em poluição e impacto no ambiente.
Muito para refletir, discutir prioridades e necessidades. Criar políticas que permitam explorar o parque, mas também perceber o que pesa mais, se o retorno económico, se o impacto ambiental.
OPINIÃO
A relevância da aprendizagem imersiva
Por Manuel Sousa Pereira
A aprendizagem imersiva, sendo uma dinâmica educacional atual e relevante para o futuro, onde os participantes são envolvidos em experiências práticas, simulações, oportunidades, aplicações e cenários interativos e conectados, que simulam aspetos da realidade, proporcionado um ambiente virtual repleto de estímulos. Os principais aspetos diferenciadores desta dinâmica são o envolvimento, a participação ativa, experimentação, conexão e ação imediata com novas e diferentes cenários, que proporcionam novas e diferentes ações de aprendizagem para os participantes.
Trata-se da transmissão de informações, aspetos, experiências permitindo a aplicação prática, em contexto virtual e imersivo, que é simultaneamente, amplo e abrangente, em múltiplos aspetos, tais como, envolvimento e motivação, aprendizagem ativa, aplicação prática dos conhecimentos, desenvolvimento das habilidades e competências pessoais, recordação e memorização, preparação para novos desafios, criatividade e inovação, aprendizagem imediata e relevante em contexto digital.
Como principais benefícios podemos referir uma maior motivação dos participantes, na medida em que, uma interação virtual ou realista permite uma convivência, experimentação e aplicação prática e operacional dos assuntos ou temas abordados; aplicação real e prática, fortalecendo uma melhor compreensão, memorização e retenção de conhecimentos; desenvolvimento de habilidades, resolvendo o pensamento critico, colaboração e tomada de decisões essenciais para a sua aplicabilidade na vida real.
A memorização e recordação dos conceitos, informações, experiências sensoriais e emocionais que ficam conectadas às histórias vivenciadas, sendo simultaneamente, experiências vividas e conhecimento adquirido, constituindo também, um benefício desta abordagem.
A preparação para novos desafios, sendo algo fundamental na atualidade, é um dos principais benefícios deste de aprendizagem, pois permite a preparação e tomada de decisões em ambientes controlados e seguros, antes da sua concretização. De forma complementar, estimula a criatividade, explorando diferentes problemas, abordagens e perspetivas, procurando adaptar às necessidades, exigências e especificidades atuais de consumidores, de um mercado ou de uma comunidade.
Na prática, este tipo de aprendizagem proporciona uma abordagem mais envolvente, prática e eficiente na aquisição de novos conhecimentos, competências e habilidades, contribuindo para uma melhor preparação dos participantes, enfrentando desafios atuais e futuros, através de um maior envolvimento, pensamento critico, criatividade, aplicação prática, bem como, um contributo para a inovação.