Procurar
Close this search box.
Procurar
Close this search box.

OPINIÃO -
Dia Internacional da Proteção Civil

Opinião de João Ferreira

 

O Dia Internacional da Proteção Civil comemorou-se no dia 1 de março, efeméride instituída a nível mundial pela Organização Internacional de Proteção Civil (OIPC) e a nível nacional por despacho do Ministro da Administração Interna (Despacho 6915/2008).

Em Portugal e no Mundo, o principal objectivo desta comemoração é prestar tributo a todos os agentes de proteção civil. Pretende também promover anualmente uma jornada de reflexão e o diálogo em torno dos riscos a que territórios e populações estão sujeitos, comemorar e mobilizar os valores prosseguidos pela protecção civil, envolvendo toda a comunidade e os cidadãos.

A “Proteção Civil”, hoje chamada de Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), foi criada em 2019. Sucede à Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) criada em 2007 que veio a substituir o Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil (SNBPC) criado a partir do Decreto-Lei n.º 49/2003, de 25 de março. Este último foi uma junção do Serviço Nacional de Bombeiros (SNB), Serviço Nacional de Proteção Civil (SNPC) e a Comissão Nacional Especializada de Fogos Florestais (CNEFF).

E o que é ou quem são a Proteção Civil em Portugal?

Segundo a Lei de Bases da Proteção Civil (Lei 27/2006, de 03 de Julho), “a proteção civil é a actividade desenvolvida pelo Estado, regiões autónomas e autarquias locais, pelos cidadãos e por todas as entidades públicas e privadas com a finalidade de prevenir riscos coletivos inerentes a situações de acidente grave ou catástrofe, de atenuar os seus efeitos e proteger e socorrer as pessoas e bens em perigo quando aquelas situações ocorram…tem caráter permanente, multidisciplinar e plurissectorial… é desenvolvida em todo o território nacional”.

São Agentes de Proteção Civil (APC) os Corpos de Bombeiros, as Forças de Segurança, as Forças Armadas, órgãos da Autoridade Marítima Nacional, Autoridade Nacional de Aviação Civil, o INEM e demais entidades publicas prestadoras de cuidados de saúde e os Sapadores Florestais. A Cruz Vermelha Portuguesa exerce cooperação com os demais agentes em funções de proteção civil.

Mas o principal Agente de Proteção Civil é o cidadão, é você. Todos Somos Proteção Civil. Não só neste dia mas todo o ano devemos perceber qual o papel de cada um de nós, de cada APC, cidadãos, responsáveis políticos, entidades públicas ou privadas, no esforço colectivo de criação de comunidades resilientes. 

Em sequência da pandemia e eventos resultantes das alterações climáticas, graças às respostas criadas pelas comunidades com grupos de voluntários (população) e acreditando que dentro das comunidades esta proximidade com cultura de risco capacita maior resiliência, a OIPC elegeu para este ano, para celebração do dia internacional, o tema “Proteção Civil e Gestão de Populações Deslocadas em Caso de Catástrofe e Crise; O Papel dos Voluntários e a Luta Contra Pandemias”. 

“Em caso de emergência, a primeira a intervir é sempre a população e quanto melhor se formar e identificar mais como voluntários mais fácil será o trabalho dos profissionais e mais fortes serão as comunidades.” – Mensagem do Secretário Geral da OIPC, N. YAP Mariatou.

OPINIÃO -
O que é a depressão?

Hélder Neto, Psicólogo

 

 

A opinião que costumo deixar aqui tem, de algum modo, a intenção de munir o leitor com uma nova “lente” ou, pelo menos, com a “lente” que já possui, ainda que com capacidade de um maior “zoom”. Tento sempre, com a minha opinião, fazer com que olhemos uns para os outros com mais compaixão, com mais atenção, para sermos todos uma versão melhor de nós mesmos. Desta vez, quero falar da depressão, uma doença que afeta cerca de 10% dos portugueses A Organização Mundial da Saúde descreveu-a como sendo o problema de Saúde mais frequente em todo o mundo.

O que é a depressão? De uma forma simplista, nos seus vários tipos, pode caracterizar-se como uma patologia que proporciona a projeção de sentimentos de tristeza profunda e persistente no tempo. Provoca o aprofundamento da sensação de vazio, de cansaço e, de uma forma geral, de desinteresse por qualquer tipo de atividades.

Por ser uma doença que pode atingir vários níveis, no caso de uma pessoa com um episódio depressivo leve, terá, provavelmente, alguma dificuldade em manter a sua atividade profissional e social habitual, mas não ficará completamente incapaz de as exercer. 

Num outro nível, uma pessoa com uma depressão “major”, muito provavelmente, será incapaz de continuar a exercer a sua atividade profissional, bem assim como outras atividades sociais habituais. Esta incapacidade deve-se à falta de interesse e prazer em realizá-las, mas, também e, sobretudo, prende-se com a incapacidade cognitiva. Nestes casos, a vida deixa de fazer sentido, de ter um propósito, tornando-se penosa a simples existência, potenciando uma séria possibilidade de a pessoa com depressão pôr termo à vida.

Por isso, sendo um dos meus propósitos, ao escrever este texto, alertar para quem nos rodeia, relembre, reiterando que todas as pessoas que conhecemos – absolutamente todas – estão numa luta constante, numa espécie de purgatório com o inferno em perspetiva, com uma ilusão profunda. Ou seja, um sofrimento autoinfligido, que carece de elucidação premente, porquanto nem tudo o que parece, efetivamente, é.

Os exemplos que a seguir descrevo, de famosos terminaram com a própria vida – todos eles diagnosticados com depressão -, ilustram o que atrás mencionei, sendo que, por serem famosos, apresentam-se como caos mais impactantes na mensagem que desejo transmitir.

Michael Hutchence, vocalista da banda australiana INXS, era rico, famoso, e chegou a ser considerado o homem mais sexy do mundo; Chris Cornell, vocalista da banda Soundgarden, era um homem bem-sucedido e com uma voz invejável; Anthony Bourdain, famoso “Chef”; Robin Wiliamms, ator em premiado por Hollywood; Ernest Hemingway, escritor laureado com o Nobel; Marilyn Monroe, famosíssima atriz, ícone de beleza; Vincent Van Gogh, pintor; Robert Enke, guarda-redes de futebol de clubes como o Barcelona e Benfica. Estas individualidades, entre tantos outras, das mais variadas áreas, que aos olhos do mundo parecia terem tudo, cometeram suicídio devido à depressão.

Para terminar, sugiro ao leitor que olhe em volta, com olhos de ver (como sói dizer-se), que comece a pensar e falar da depressão da mesma forma que se pensa e se fala de qualquer outra condição médica. Em traços gerais, se alguém tiver partido uma perna, deve ir ao hospital. Se soubermos que alguém tem cancro, à partida, deve fazer quimioterapia ou radioterapia, se alguém se queima, deve imediatamente tratar a queimadura. Portanto, se abordarmos as doenças mentais, sob a mesma perspetiva, empreendemos, efetivamente, por encorajar alguém com depressão a procurar ajuda. A ajuda existe. A depressão tem tratamento.

REGIÃO -
Autarcas minhotos satisfeitos com esclarecimentos do ministro do Ambiente sobre exploração de lítio

Os presidentes das câmaras da área ‘Seixoso-Vieiros’, que integra Guimarães, Fafe e Celorico de Basto, acompanhados por homólogos de concelhos de Vila Real e Porto, consideraram, esta quarta-feira, “esclarecedores” os esclarecimentos sobre a prospecção de lítio dados pelo ministro do Ambiente numa reunião em Lisboa.

Ler mais

OPINIÃO -
Metaverso, uma nova realidade…

Por Manuel Sousa Pereira

 

Metaverso consiste num conjunto de ambientes virtuais, imersivos em 3D onde os utilizadores se conectam entre si, numa realidade paralela, simulando o mundo físico, e no qual as pessoas podem comunicar através de avatares, representações digitais, num espaço tridimensional, por forma a experienciar uma conexão o mais aproximada do mundo real.

Trata-se de uma experiência totalmente virtual e onde podemos ser aquilo que projetamos ser, sem limitações, imergindo numa experiência nova e em crescimento. Neste sentido, é também um novo mercado com experiências à medida do potencial das marcas e dos seus consumidores, em busca de algo por descobrir.

Esta ideia, não sendo totalmente nova, pois o o conceito “Second Life” criado em 1999 e desenvolvido em 2003, sendo um jogo, cujo significado era uma “segunda vida” ou vida paralela, para além da vida real, continhas aspetos semelhantes a esta nova realidade. Assim, os utilizadores do “Second Life” cresceram de forma significativa até 2007. Com o surgimento do Facebook, grande parte destes utilizadores migraram para as redes sociais, como Facebook, Twitter e outras redes.

Assim, o Metaverso é em termos práticos uma realidade aumentada, englobando aspetos culturais, sociais, económicos incorporados numa imersão digital conectada, utilizando um avatar, podendo encontrar amigos, assistir a espetáculos, adquirir obras de arte, divertir-se, tal como se fosse num mundo real.

O Metaverso sendo um ambiente virtual, algumas das tecnologias utilizadas são: realidade virtual, aumentada, blockchain, inteligência artificial, Machine Learnig, Deep Learning, NFTs (non-fungible-tokens) itens vindos do digital, podendo ser adquiridos e vendidos em todo o planeta (cripto moedas)

Nesta perspetiva, este ambiente virtual onde podemos experienciar e reproduzir uma vida diferente, ampliando os horizontes, criando um novo universo e uma nova realidade, abrindo também novas de diferentes possibilidades em termos sociais, culturais, e organizacionais, imergindo na conectividade e interativa dos jogos e da infinidade de opções…

OPINÃO -
Por que não a Energia Nuclear?

Por Marco Alves

 

A Revolução Industrial causou uma das maiores, senão a maior mudança na vida social em toda a história da era Moderna. Uma transformação que deixou marcas profundas e irreversíveis nos recursos naturais do planeta. Muitos desses recursos não são renováveis e retirá-los da natureza está a provocar danos irreparáveis nos ecossistemas. Atualmente, a humanidade tenta correr atrás do prejuízo ambiental em busca de uma energia verde e limpa.

Continuam presentees nas nossas memórias os desastres Chernobil e Fukushima. O primeiro desencadeado em 1986 através de erros e falhas inerentes ao projeto. O segundo provocado por um Tsunami que devastou a costa na região do Japão.

 Segundo a UNECE (Comissão Económica da Nações Unidas para a Europa), a energia nuclear é uma das fontes de eletricidade com a menor emissão de carbono por unidade de energia produzida. É também a fonte de eletricidade com menor impacto ao nível da extração, utilização de área e impacto no meio ambiente circundante. Existem diversos receios associados a esta fonte de energia, Portugal tem optado ao longo do tempo me não investir nesta energia. As centrais nucleares modernas possuem uma taxa de fatalidades inferior a outra qualquer forma de produção de energia. Segundo o JRC (Centro de investigação científico e de conhecimento da União Europeia), demonstrou que a energia nuclear moderna é segura, verde e sustentável. No mesmo relatório mostra que as soluções atuais para lidar com resíduos nucleares são aceitáveis e seguros, mas que se deve investigar outras formas mais avançadas para o tratamento de resíduos.

A introdução de energia nuclear de nova geração em Portugal, na forma de Reatores Modulares Pequenos (SMR), traria diversas vertentes. Além de um elevadíssimo grau de segurança, incorporava-se uma energia com enorme grau de estabilidade, segurança e com zero emissões de gás com efeito de estufa. Vantajoso para uma produção de eletricidade descentralizada e produção de calor, o que possibilita uma enorme diminuição no consumo de gás natural em Portugal. A produção de energia nuclear não é tão cara quando comparada a outros tipos de produção, isto representaria uma redução significativa nas despesas do governo, e consequentemente chegaria energia mais barata à população.

Em 2018, a energia nuclear foi responsável por 10,4% da produção de energia, as centrais convencionais (carvão, combustíveis líquidos e gás natural) contribuíram com 65,1% da produção, as hidrelétricas com 16,6% e as renováveis com 5,6%. As fontes de urânio já identificadas são suficientes para produzir energia entre 60 a 100 anos…

Portugal necessita de uma central nuclear?

Não é possível responder afirmativamente ou negativamente. Seria necessário um levantamento aprofundado de todas as componentes do problema através do Plano Energético Nacional, montar uma estrutura legislativa adequada, retomar o ensino da Física e da Engenharia Nuclear nas Universidades, esclarecer a população, fazer um levantamento geológico, estudar o impacto de uma central na rede elétrica nacional e fazer um levantamento sério das necessidades energéticas a médio/longo prazo. A fusão nuclear é a tecnologia que apresenta melhores perspectivas de sucesso.

As fontes de energia renováveis a partir da água, sol e vento têm um grande inconveniente: estão sujeitas à imprevisibilidade da natureza provocadas pelas alterações climáticas e o risco da diminuição da produção de energia com estas fontes, pode comprometer o abastecimento da população.

 “A sabedoria só aparece com a experiencia. A experiencia só se constrói aprendendo com os erros.”

OPINIÃO -
Vespa Velutina

Por João Ferreira

 

A vespa velutina nigrithorax é originária do Sudoeste Asiático, chegou à Europa pela França num contentor entre 2003 e 2004. É considerada uma espécie invasora em quase todos os países da Europa e em Portugal, desde julho de 2016, devido à sua origem, passou a ser designada por Vespa Asiática. Confirmada em Portugal pela primeira vez em Viana do Castelo em 2011, nos dias de hoje já proliferaram ao vale do Tejo através do litoral, para o interior do país dá-se de forma mais lenta e através das linhas de água e suas bacias hidrográficas.

Como identificar? Com excepção da Vespa crabro, a Vespa velutina é facilmente diferenciada das demais vespas autóctones na Europa, as quais são mais pequenas.

A Vespa velutina, um pouco mais pequena que a Vespa crabro, pode atingir ainda assim os 3,5 cm (fecundadoras), possui o tórax preto, face da cabeça alaranjada, abdómen preto com 4º segmento alaranjado, listas finas alaranjadas nos restantes segmentos e patas amarelas. Os ninhos primários têm o tamanho de uma bola de golfe e são construídos pela vespa fecundadora e tem entrada pelo fundo. Já quando os ninhos são definitivos (grandes dimensões) estes diferenciam-se pela sua entrada ser na lateral enquanto o da Vespa cabro ser pelo fundo.

Têm um sério impacto negativo na biodiversidade pela forte predação a espécies polinizadoras. “Menos polinizadores é sinónimo de um declínio de várias espécies de plantas, que podem até desaparecer, por dependerem destes animais, directa ou indirectamente. Para além disto, a diminuição do número ou da diversidade das populações de polinizadores tem um impacto na segurança alimentar, com a quebra de rendimento de muitas culturas agrícolas” (Parlamento Europeu, 2019).

Para a população e saúde publica pode haver perigo pela sua agressividade. Embora longe do ninho as vespas não pareçam agressivas para os humanos, as obreiras defendem o ninho quando as pessoas se aproximam a menos de 5 m (Perrard et al.,2009; de Haro et al.,2010). Atendendo à sua adaptação e aproximação ao espaço urbano o contacto com humanos tem vindo a aumentar.

Como e quando combater esta invasora? Existem dois períodos estratégicos directamente relacionados com o ciclo de vida desta vespa, embora testemunhos e estudos refiram que devido às condições climáticas, sobretudo neste inverno, o ciclo possa ter sido “alterado”. Geralmente entre Fevereiro e Abril, as vespas fecundadoras saem da hibernação e procuram alimentação rica em açúcar. Nesta fase a melhor estratégia será criar uma “rede” de armadilhas artesanais ou comerciais ricas em açúcar com uma componente alcoólica (sangria é uma boa opção). Os ninhos desenvolvem-se mais no período de julho a outubro, período que vai coincidir com o maior impacto de predação de insectos, em particular das abelhas nos apiários, sendo utilizados para alimentar as larvas em desenvolvimento nos vespeiros. Neste período a colocação de armadilhas deverá ser mais perto dos apiários e para além de uma fonte adocicada e alcoólica deverá possuir também uma fonte de proteína como atractivo.

A destruição dos ninhos é da responsabilidade da câmara municipal da área onde se registe a sua ocorrência ou de outra entidade que seja por si autorizada.

O que fazer se avistar um ninho suspeito de Vespa velutina? Deve participar ao seu município ou da sua Junta de Freguesia ou ainda o pode fazer através do www.sosvespa.pt ou da linha SOS Ambiente 808 200 520.

Pode informar-se melhor sobre esta invasora consultando o “Guia de Boas Práticas na destruição de ninhos Vespa velutina” do projeto GESVESPA, o “Plano de Ação para a vigilância e Controlo da Vespa velutina” elaborado pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e páginas web como do ICNF, SPECO-invECO, GO-VESPA.

OPINIÃO -
São necessárias obras na Escola Secundária de Amares

Por Jéssica Sousa

Membro da Assembleia da União de Freguesias de Ferreiros, Prozelo e Besteiros eleita pela CDU

 

A CDU visitou, no passado dia 20 de janeiro, a Escola Secundária de Amares, a convite do presidente da Associação de Estudantes, Francisco Macedo.

O objetivo principal deste convite foi, acima de tudo, a procura de ajuda para que algo seja feito em prol da melhoria das condições a que estes estudantes, bem como pessoal docente e não docente, se encontram sujeitos no seu dia a dia.

Vários foram os problemas apresentados pelos membros da AE, que passo a enunciar: falta de isolamento, humidade e frio, mangueira de incêndio não funcional logo na entrada do bloco principal, material completamente degradado (desde mesas e cadeiras a persianas) e iluminação insuficiente. 

A sala destinada para as funcionárias exige que as mesmas tenham de se agachar para lá acederem e permanecerem, estando localizada debaixo das escadas de acesso às salas de aula do bloco 1.

No que diz respeito às casas de banho, numa escola com aproximadamente 750 alunos, apenas duas casas de banho masculinas se encontram em funcionamento. Uma delas sem qualquer tipo de condições, com completa degradação nos móveis sanitários, e a outra, localizada no pavilhão desportivo, e que se encontra, além de em semelhantes condições, sem porta que garanta a mínima privacidade que é, como todos sabemos, algo imprescindível.

Ainda no pavilhão, apesar de ter sido efetuada uma mudança na cobertura do mesmo, foi-nos relatado que, em dias de chuva, os alunos ficam impossibilitados de ter aulas de educação física uma vez que, devido à presença estonteante de humidade, o piso fica extremamente escorregadio.

Perante uma Associação de Estudantes que em muito valoriza a prática desportiva, vemos também uma significativa preocupação com a equipa de voleibol, equipa essa com diversas conquistas e bastante prestígio, sujeita às condições do pavilhão, e a quem foi feita a promessa da construção de um campo de voleibol de praia que, até hoje, não foi cumprida.

Também as turmas de robótica, apesar de ao longo dos últimos anos terem conquistado vários prémios, depara-se hoje com falta de incentivos aos alunos, bem como falta de investimento, o que não permite a sua continuidade.

Em diversas zonas exteriores encontramos, ao dia de hoje, a presença de amianto que, como já estamos fartos de saber, é bastante prejudicial para a saúde humana, sendo uma substância cancerígena quando exposta ao ar.

Ouvimos ainda algumas funcionárias que demonstram evidentes sinais de cansaço e frustração com as condições a que estão sujeitas. Os problemas são vários: falta de funcionários, idade avançada, demasiada carga de trabalho e falta de progressão na carreira. 

Assistimos ainda a um elevado grau de perigosidade nos acessos à escola, caracterizados por falta de iluminação pública e uma ausência quase total de passeios, o que faz os alunos sentirem-se inseguros em caminhos que têm frequentar no dia a dia.

Em 2018, a CDU já lutava no sentido da requalificação desta escola, tendo a deputada eleita pelo círculo de Braga apresentado uma proposta de requalificação da mesma.

Hoje, em 2022, os estudantes e trabalhadores da Escola Secundária de Amares podem contar com a CDU para continuar a fazer tudo o que está ao seu alcance para que se efetivem as obras nesta escola. O que também está em causa é o investimento na Escola Pública e os deputados eleitos pela CDU não faltarão à chamada, como nunca o fizeram, de lutar pela Escola Pública, gratuita, democrática e de qualidade para todos os alunos.

Garantimos que a CDU irá intervir neste sentido na Assembleia da República, porque não só os estudantes, mas todas as pessoas que depositarem o seu voto de confiança em nós, sabem com quem podem contar. 

OPINIÃO -
Bullying

Por Hélder Neto

Psicólogo

 

Este texto foi originado por duas notícias que li recentemente. Uma delas noticiava a agressão a um aluno de 12 anos, numa escola de Matosinhos, com direito a gravação de vídeo e a uma assistência impávida e serena. Dois dias depois, outra notícia, relacionada, referindo que a família do aluno agredido estaria a ser alvo de ameaças, por parte da família do agressor, por aqueles terem exigido justiça. 

Estas notícias impeliram-me a deixar aqui duas reflexões. A primeira – relacionada com o facto de os colegas terem assistido e nada terem feito – remete-me para uma reflexão do Bispo Desmond Tutu: “se formos neutros em situações de injustiça, estamos a escolher o lado do opressor”. A segunda reflexão prende-se com o facto de a família do agressor ameaçar a do agredido. Esta última ilustra bem uma das potenciais causas para o comportamento do agressor: o exemplo familiar.

Não consigo compreender a crença – de certo modo generalizada – que classifica as agressões em adultos como sendo agressão, crueldade em caso de animais, e educação no âmbito de uma criança. Quando um adulto – pai ou a mãe – bate numa criança, propaga a mensagem de que o mais forte pode bater no mais fraco. A criança internaliza esta mensagem, mimetizando-a, reproduzindo esse comportamento com os colegas.

Constatei esta realidade quando trabalhei, como psicólogo, numa comunidade terapêutica que acolhia jovens, rapazes, com problemas de consumos de drogas e que foram colocados naquela instituição para cumprirem medidas de promoção e proteção ou medidas tutelares educativas. Os jovens que acompanhei e que tinham, na sua história de vida, lidado com ambientes de bastante violência, na sua maior parte, eram os agressores, os bullyiers. Era esta a linguagem que conheciam devido à “educação” que tiveram. 

Por sua vez, vi as vítimas tornarem-se agressores, quando com colegas mais novos, precisamente pelo mesmo motivo. Passavam, desta forma, a uma linguagem por aprendizagem. A instituição pouco podia fazer para quebrar este ciclo, existindo, contudo, medidas educativas que eram interiorizadas como castigos, sendo pouco efetivas. Eram rapazes que estavam ali contrariados, que foram lá colocados por ordem de um juiz e que, praticamente, a única emoção que conseguiam exprimir era a raiva.

Este problema é muito complexo, muito difícil de combater. É necessário o empenho de todos e, mesmo assim, demoraria algumas gerações a mudar a mentalidade. Poderá parecer utópico, ainda que não devamos baixar os braços. Existem alguns projetos para combater o bullying, poucos, mas de louvar. Refiro três, como exemplo: 

  • Projeto Violentómetro”, desenvolvido pelo Aggression Lab da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), com adolescentes entre os 12 e os 18 anos como público-alvo. 
  • O “Plano Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência”, do Ministério da Educação.
  • Projeto Stop Bullying”, da Amnistia Internacional Portugal.

Quero só deixar aqui uma nota em relação ao cyberbullying; não o referi, intencionalmente, porque, embora tenha comunalidades com o bullying “mais tradicional”, apresenta também bastantes diferenças que darão um futuro artigo de opinião.

OPINIÃO -
A Saúde mental dos homens

Opinião de Hélder Neto

 

Boys don´t cry” é o título de um documentário de Nick Ward, que vi recentemente, e que dá o mote à opinião de hoje. Tal como o título indicia (“Rapazes não choram” em português), o tema de hoje versa acerca da saúde mental dos homens.

Na maior parte das culturas, a crença de que “homens fortes não choram” é disseminada no âmbito de uma cultura de educação, culminando numa consequência profundamente gravosa. Ora, o resultado desta crença revela que, muitas vezes, as emoções contidas e recalcadas, naqueles homens, concorrem para situações que prejudicam outras pessoas, bem como a si mesmos. Para lidarem com sintomas graves, como os da depressão, muitos homens usam estratégias mal adaptativas, como o consumo de álcool e outras drogas.

Um estudo publicado no periódico “British Medical Journal” revelou que os homens que sentem estar abaixo dos padrões de masculinidade esperados, e incutidos pela sua cultura, como o de cuidarem financeiramente da família ou, até – um detalhe mais prosaico –, como o tamanho do pénis, faz com que se tornem mais propensos à violência. De entre as várias facetas dessa violência, destaco a violência doméstica, como um dos preços altos a pagar pelo estado da saúde mental masculina. 

Em Portugal, a realidade não é diferente. A taxa de suicídio, por exemplo, é quatro vezes mais elevada nos homens, sendo transversal a todas as faixas etárias. A taxa da depressão, a principal psicopatologia causadora do suicídio em Portugal, está entre os 2% e os 3%, para os homens, de acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística (INE). 

Não obstante, desconfio destes números. As razões da minha desconfiança prendem-se com a observação diária, no âmbito da minha prática profissional. Neste sentido, relevo que só cerca de 10% dos meus pacientes são homens, sendo que – regra geral – estes procuram apoio depois de pressionados pelo seu círculo social e, apresentando, à data, um estado em que se verifica a existência de psicopatologias, há muito, instaladas. Por conseguinte, avento que os números reais estão muito além dos revelados pelo INE, uma vez que os homens não querem, ou não sabem, procurar ajuda, considerando que nada, jamais, os perturbará; “à homem”!

Urge, portanto, mudar mentalidades. Cabe a cada um de nós fazer a sua parte, educando e influenciando positivamente as nossas crianças e os nossos jovens. As nossas crianças e os nossos jovens são altamente influenciáveis, para o bem e para o mal, barro por moldar, cabendo-nos, a nós, adultos, aproveitar essas características, tão próprias, para o bem deles, e para o nosso.

Para terminar, ilustro, através de Fernando Pessoa, a postura de muitos homens: “eu que me aguente comigo e com os comigos de mim”.

OPINIÃO -
Segurança Rodoviária

Opinião de João Ferreira

 

Por vezes o tema segurança rodoviária ainda é visto como “fiscalização” dos agentes de segurança e não como supostamente deveria ser entendido. Esta temática deveria ser interpretada como educação e respeito pelas regras de trânsito e por quem nele circula.

Para sensibilizar, ficam aqui alguns dados (entre janeiro e Setembro de 2021) sobre segurança rodoviária relativos a 2021. A nível nacional (continental) houve 20.476 acidentes em que resultaram 284 vítimas mortais e 1.491 feridos graves que resultaram de 2.346 atropelamentos, 10.915 colisões e 7.215 despistes. O distrito de Braga é dos distritos com maior aumento de casos, com vítimas mortais (+42,9%) e feridos graves (+ 26,0%) comparativamente a 2020 traduzindo-se em 30 vítimas mortais e 131 feridos graves (Fonte: Autoridade Nacional Segurança Rodoviária – ANSR).

No concelho de Amares em 2021 (até meados de dezembro) houve um decréscimo no número de acidentes (206) com vítimas comparativamente a 2020, mas por outro lado um aumento de feridos graves (3) e vítimas mortais (1) (Fonte: Guarda Nacional Republicana – GNR).

Felizmente, Amares é um concelho com poucas ocorrências, mas como transeunte vejo algumas preocupações que citarei. E para não existirem preconceitos, sou peão, sou condutor, pratico ciclismo, sou agente de proteção civil e sou pai. 

Assim, onde se devia e podia apostar muito, tanto na vertente preventiva como educativa, é junto das escolas, locais onde vejo mais perigos. É junto aos centros escolares que vejo pontos de maior atenção, desde locais de recolha de alunos tanto por pais como por meios de transportes públicos, alguns mal iluminados e sinalizados (horizontal e verticalmente).

Em particular no Centro Escolar de Ferreiros, em que os estacionamentos condicionam o trânsito e retiram visibilidade aos restantes condutores numa área onde circulam crianças, tornando-se um local passível de ocorrência de atropelamento. Mas o que choca mais é ver alguns encarregados de educação passarem com a criança de mão dada fora dos locais de passagem de peões, quando existem dois locais de passagem a menos de 100 metros um do outro. Provavelmente um dia poderão imitar os adultos, num mundo não tão “faz de conta”. Um local que outrora teve sinalização luminosa. 

Outros perigos são uso de roupas pouco visíveis para quem circula junto às bermas, bermas estas que, no meu modo de ver, deveriam ser “obrigadas” a possuir passeios, nomeadamente nas principais vias em pelo menos num dos lados da via. O uso do telemóvel, o consumo de álcool, velocidade excessiva são todas outras variáveis agravantes.  

Mas parte sobretudo da educação dos transeuntes que circulam na via pública, seja como peão ou passageiro. Desde o incumprimento do código de estrada até à falta de bom senso, podemos sempre corrigir e melhorar. E não podemos alegar que não existe sensibilização nesta área, pelo menos a ANSR tem levado a cabo iniciativas, na maioria em parceria com os Agentes de Autoridade, como GNR e PSP, tendo realizado 22 campanhas em 2021. Recentemente, também a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil desenvolveu uma “campanha” der sensibilização mobilizando meios de socorro de forma preventiva para pontos estratégicos.

Visite as páginas destas entidades e consulte desde a segurança à legislação, informe-se, previna-se e não se torne numa vítima de acidente rodoviário.

Vamos iniciar este ano de 2022 com o pé direito.